terça-feira, 11 de março de 2014

Quietas ruas

A calma de depois do carnaval...
Silêncio e já frio na fronteira...
Agora, os poetas do pampa,
Falecidos eternamente vivos,
Voltam calmamente para alegrar nossas quietas ruas
Que esperam pelo perfume gaúcho de lenha queimada que,
Felizmente, em breve voltará
Para completar esse abraço de amor...

terça-feira, 4 de março de 2014

A luta pela igualdade é sagrada

Final de janeiro 2014, quinta-feira dia 23, lá estava eu fazendo leituras de trabalho sobre a história da luta contra as desigualdades na América Central, especificamente, em El Salvador, onde leigos e cristãos, reformadores e revolucionários caíram lutando por um El Salvador melhor. “Muitos morreram e, entre os que sobreviveram, tantos foram derrubados pelo desencanto, pela tristeza política”, pensei, identificando-me um pouco com esses guerreiros cansados. Bem, no momento dessa reflexão emergiu uma conclusão, intelectual: “Mas a luta pela igualdade é sagrada...”.

“A luta pela igualdade é sagrada...”. Essa frase ficou girando dentro de mim como caramelo em boca de criança. Depois, por um convite vindo de dentro, passei da leitura de estudo à oração: “Aquele pouco que você fez pela diminuição das desigualdades é ação sagrada, ficou tudo registrado para a eternidade, na eternidade”. Comovido, entreguei-me a essa relação de amor com essa presença que em alguns momentos conversa comigo, me comove, me corrige, me consola. Pensei naquelas pequenas ações que desenvolvi na minha juventude de estudante universitário na periferia pobre de Pelotas (RS), na Vila da Balsa. Pensei nos meus estudos de sociologia, sempre motivados por essa intenção política. Pensei na minha atividade de professor, de cidadão, sempre movido por esse amor pela igualdade social que não temos, mas que poderíamos ter. “Acompanho tua vida, tua história, te sigo...”.

No mundo de hoje, por cima da injustiça social, da desigualdade socioeconômica injusta acrescenta-se o deboche, a ironia contra os que ainda sentem o dever de lutar contra as desigualdades. Além de injusto, o nosso mundo é conservador, reacionário, elitismo politicamente soberbo, arrogante. Estrutura social conservadora alimentada por uma cultura reacionária. Assim, a gente vai meio que murchando, desencantando, transformando a vida nessa coisinha pequeno-burguesa onde a felicidade se resume ao churrasquinho com os amigos. Para Deus, não. Para Deus a luta pela igualdade é sagrada.

A luta pela igualdade é valor político e, também, teológico, luta sagrada. Muitos companheiros centro e sul-americanos morreram por essa boa causa, combatendo como podiam. A luta de resistência, às vezes armada, em algumas situações mais do que uma escolha foi uma imposição das oligarquias conservadoras que consideram o mundo como lugar exclusivo delas, para elas. Mas não é assim, o mundo é casa de todos.
Os inimigos da igualdade justa são hereges que, mesmo frequentando igrejas combatem a regra das regras do cristianismo: um Pai, de muitos filhos, filhas, diferentes culturalmente, biologicamente, mas todos de igual valor. 

A luta pela igualdade é sagrada. Continuar, portanto, contribuindo como se pode, trabalhando como se pode pela diminuição das desigualdades, superando contradições interiores e exteriores por esse valor real contido no ideal político e espiritual da fraternidade social, internacional, universal.