sábado, 28 de janeiro de 2012

Em Cape Town, my name is Feibio


Cape Town
Bela cidade
Belo país
África do Sul
Onde o Rio Negro
e o Rio Branco se encontram.

Encontro das águas
Caminham juntos

Orgulho Negro
Raça Negra
Música Negra
Povo Negro
Deus é Negro
E eu também

Black is good
Black is God
O amor é Negro
O Rio Negro, na Amazônia,
Também é Negro
Como o Rio Negro do povo lindo

Eu sou do sul
Da América do Sul
Sul do Brasil
Sul da América do Sul
Na mesma linha com a África do Sul

Estamos pertos
Um pulinho sobre o mar
Eu sou do Sul
Estou na África do Sul.

Uma senhora negra,
Olhou-me e disse:
Here, your name is Feibio!
Depois, riu...
Eu também.
Em Cape Town, my name is Feibio.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Meu dicionário de latim


“Professor, mas qual é mesmo a diferença entre integração e interação?”, perguntou-me um estudante de relações internacionais. Expliquei-lhe, de um ponto de vista teórico-prático, afinal, não queremos fazer metafísica da integração, mas sociologia da integração em regiões de fronteira.

Em casa, consultando livros e dicionários temáticos de sociologia, encontrei-me novamente com meu velho dicionário Latim-Italiano (Ferruccio Calonghi. Dizionario latino-italiano. Turim: Rosenberg & Sellier, 1975). Depois de identificar as diferenças entre integer (de onde integração) e inter (de onde interação) fiquei mais satisfeito e reescrevi meu texto sobre o tema, com mais detalhes teórico-práticos sobre a experiência de integração e interação nas cidades conurbadas de Rivera e Santana do Livramento.

As palavras vão mudando de significado e valor no tempo e no espaço, assumem feições culturais diferentes, mas cabe sempre o retorno às origens e, sobretudo, o retorno ao latim e ao grego. Perguntei aos estudantes se eles costumam usar dicionários de latim e grego. Infelizmente, alguns nunca tinham aberto um dicionário de latim. Uma lástima. Dicionários de latim e grego não são conversa para boi dormir. O revolucionário Gramsci, para citar um exemplo apenas de um militante que não fazia boi dormir, amava latim e grego.

Sobre o grego, lendo, outro dia, uma apostila de polemologia (você sabe o que é?), dei-me conta da proximidade entre polemologia e polêmica. Polemologia é o estudo científico das guerras, analisadas como fenômeno exterior, observável.

Nota: estudar guerras não significa que sejam amadas. Estudam-se guerras da mesma forma como a medicina estuda doenças, para evitá-las, tratar pacientes e, quem sabe, até curá-los. Polemologia preventiva.

E a palavra polêmica? Polemikós refere-se à “arte da guerra”, palavra formada por pólemos, guerra, combate, e ikós, ou seja, relativo à (guerra). Polemistés era o combatente (armado).

Ao longo dos anos, polemistés passou a ser palavra empregada também para designar o combatente de ideias, em suas controvérsias intelectuais, enfrentamentos literários, filosóficos, políticos, científicos.

Polêmica, hoje, pode indicar método de compreensão de ideias por meio da revelação de contradições, mas se o interlocutor for considerado um inimigo a ser combatido, em vez de debate o que teremos será mesmo uma pequena guerra.