domingo, 26 de junho de 2011

Almoço de domingo


Um amigo, do Uruguai, nos trouxe de lá um pedaço de javali. Depois de assado, ficou meio alaranjado. Ótimo! A farinha de mandioca, amarela, meu amigo Rogério – carioca, vive em Manaus, seu apelido é Che – mandou-me via correio.

A caipirinha foi feita com limão siciliano, aquele de casca amarela, que cresce muito bem aqui na fronteira do Brasil com o Uruguai. A cachaça, uma amiga trouxe de Minas Gerais, Salinas.

Junto com o javali, batatas (peruanas de origem, e não inglesas) ao forno, com azeite italiano, mais o alecrim (rosmarino), que eu mesmo plantei (gosto de viver na boa companhia do alecrim e do manjericão).

Água e vinho tinto, nos cálices que vieram da Bohemia, quando a Tchecoslováquia ainda era comunista.

Mudam-se os sistemas, Estados se separam, mas os cálices continuam lindos... Também o limão, o alecrim, a farinha de mandioca e a companhia dos amigos...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Projeto Unasul (Unasur)


Em agosto de 2009, mudamos para a fronteira, cidades-gêmeas de Santana do Livramento – Rivera. A vida nas bordas do Estado, fronteira, é diferente da vida no miolo do Estado. A fronteira é professora.

Minha irmã, brasileira, vive em Montevidéu. Seu marido, empresário, já descobriu a América do Sul faz tempo. Na capital do Uruguai, jantei, também, com alguns amigos de países sul-americanos, jornalistas. Na volta, de carro, pela tranquila Ruta 5, pensamentos e sentimentos de integração sul-americana.

O Brasil ainda vive de costas para a América do Sul. Mas, talvez, isto esteja mudando. Pensar o Brasil como parte de um grupo de nações vizinhas talvez seja muito mais útil para nós e para os vizinhos do que o velho nacionalismo tradicional. A América do Sul é o nosso território comum de pertença e responsabilidade compartilhadas.

A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) é muito mais que uma sigla. É a possibilidade de realização de um projeto de integração, desafio popular e governamental. Tudo na América do Sul poderia ser pensado como Unasul, exceto o futebol, é claro. Unasul e segurança pública. Conselho de defesa da América do Sul. Integração entre os ministérios da justiça e da defesa dos Estados da Unasul. Desenvolvimento econômico compartilhado, economia de empresas sul-americanas. Produção com justa distribuição. Democracia social. Integração social. Salvaguarda do ambiente. Andes, Amazônia e Pampa. Atlântico e Pacífico. Território compartilhado. Responsabilidades compartilhadas.

A Unasul é muito mais que uma questão apenas de livre comércio.
No site do Itamaraty, lemos que “a UNASUL tem como objetivo construir, de maneira participativa e consensuada, um espaço de articulação no âmbito cultural, social, econômico e político entre seus povos. Prioriza o diálogo político, as políticas sociais, a educação, a energia, a infraestrutura, o financiamento e o meio ambiente, entre outros, com vistas a criar a paz e a segurança, eliminar a desigualdade socioeconômica, alcançar a inclusão social e a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as assimetrias no marco do fortalecimento da soberania e independência dos Estados”.

A Unasul não é uma fórmula voltada para o enfraquecimento de soberanias, mas para o fortalecimento dos Estados sul-americanos, pelo caminho do compartilhamento de análises e escolhas estratégicas.

Aos poucos os parlamentos vão aprovando o ingresso de seus Estados em tal projeto que une realismo e idealismo na América do Sul, casa comum dos povos sul-americanos, cuja construção depende também de mim e de você, artesão, professor, empresário, músico, operário, político, poeta, militar, estudante, cozinheiro, jornalista...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Fronteiriços, uni-vos!


Conversando com uma professora uruguaia, de uma cidade-gêmea da fronteira Brasil-Uruguai, num certo momento, ela, suspirando, disse-me: “Caro professor, nossa fronteira é uma terra esquecida pela mão de Deus”. Pelas viagens que já fiz por algumas cidades-gêmeas da fronteira Brasil-Uruguai, pude experimentar essa mesma sensação de abandono, cidades esquecidas por quem vive no miolo do Estado, em Montevidéu, em Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre.

A visão sobre fronteiras que emerge nos meios de comunicação geralmente é negativa, fronteira como terra de ninguém, como terra que seria melhor que não existisse. Terra de crimes, de sem-leis, como se os sem-leis de Brasília, ou do Rio de Janeiro fossem alimentados por sem-leis de fronteiras. O miolo do Estado parece que vive mesmo de costas para suas fronteiras, e quando pensa nelas pensa em criminosos ou em consumo.

Voltando à conversa com a professora, respondi-lhe: “Cara professora, quem esqueceu as fronteiras não foi a mão de Deus, mas a do Estado”. Talvez o Estado brasileiro e o uruguaio ultimamente estejam dando mais atenção às suas fronteiras. Talvez seja o momento no qual as próprias cidades-gêmeas da fronteira entre o sul do Brasil e o norte do Uruguai devam dar mais atenção às suas populações fronteiriças. Sair do estado de isolamento (abandono, esquecimento) no qual se encontram. Mas como fazer isso?

Um senhor, também do Uruguai, me dizia: “É melhor ser a cabeça do ratão do que o rabo do leão”. Concordo. A América do Sul, por exemplo, está fazendo isso com a construção da UNASUL: “É melhor ser a cabeça do ratão do que o rabo do leão”.

As doze cidades-gêmeas de fronteira, situadas na linha de fronteira entre Brasil e Uruguai, são cidades com identidades semelhantes, problemas em comum, desafios em comum, tanto que há legislações específicas voltadas exclusivamente para os cidadãos brasileiros e uruguaios que vivem em uma das 12 cidades-gêmeas fronteiriças da fronteira Brasil-Uruguai.

Problemas semelhantes, desafios semelhantes que poderiam ser resolvidos de forma conjunta, por uma espécie de G 12, conselho das 12 cidades-gêmeas Brasil-Uruguai, todas com igual poder de decisão, com uma sede própria, ou com sede rotativa entre as 12 cidades-gêmeas das 06 regiões de fronteira urbana, binacional, integrada entre Brasil e Uruguai: Chuy e Chuí; Rio Branco e Jaguarão; Aceguá e Aceguá; Rivera e Santana do Livramento; Artigas e Quarai; Bella Unión e Barra do Quarai.

São cidades pequenas, muitas delas muito pobres, mas são cidades Farol, cidades enormes do ponto de vista da integração binacional que elas vivem diariamente. São fronteiras diferentes, fronteiras da integração de fato entre duas nações diferentes, são fronteiras modelo de vida binacional, integrada, para todo o mundo e, também, para o Brasil.

Aquilo que o governo brasileiro quer fazer nas fronteiras amazônicas, vivificação como forma de vigilância permanente em regiões de fronteira (não é a única forma, mas uma forma privilegiada, vivificação com normas do Estado e não com as normas da criminalidade organizada), já ocorre, de forma bem-sucedida (em uma concepção não perfeitista de integração), nas 12 cidades-gêmeas de fronteira entre Brasil e Uruguai.

A integração que aqui se vive é integração satisfatória, que deveria ser mais estudada e exportada para o Brasil e para o mundo. Os brasileiros e uruguaios fronteiriços das 12 cidades-gêmeas de fronteira vivem experiências exemplares de integração, onde as diferenças entre Brasil e Uruguai são vividas como possibilidade concreta de enriquecimento recíproco.

Fronteiriços das 12 cidades-gêmeas, uni-vos! Criai o vosso G 12, sendo a cabeça do ratão, e não o rabo do leão.

Dos leitores, via e-mail:

Fala Tchê,
Aqui na região do DF, as cidades do "entorno" compõe o estado de Goiás e não são tratadas com respeito por seu estado, pois esse classifica que sejam um problema do DF pela proximidade, já o DF não dá jeito pois o problema é de Goiás, assim as cidades vão crescendo desordenadamente sem a presença e nem fiscalização de nenhum dos dois estados. É tipo "Sarará", que não entra em baile de branco pois é considerado negro e nem em baile de negro pois é considerado loiro.
A mim parece um forte jogo de empurra entre os dois lados, como deve ser o que ocorre entre Brasil e Uruguai no caso de vocês. A impressão que passa é que em breve as "Aduanas" serão transferidas para aproximadamente 20 km antes das fronteiras e essas terras serão de ninguém. Em parte isso já ocorre em Foz do Iguaçu, onde os maiores postos de fiscalização de fronteira ficam em pontos específicos da região e não em Foz.
Ernani

Amigo Fábio
Grande contribuição!!!
Fico feliz em ver que podemos somar forças e tentar mudar nossa realidade!
Conte com o amigo na luta!
abraço
Robinho

Fábio
De todos os textos que acompanho, este tocou em um ponto especialmente necessário: a tão falada integração internacional. Escrevo desde São Borja, cidade vizinha de Santo Tomé, da província argentina de Corrientes. Estamos separados pelo rio Uruguai e, não sei se como consequência ou não dessa característica geográfica, me parece que nos falta concretizar a integração - ou, mais claramente, ir além da faceta comercial e realmente nos aproximarmos para solucionar questões nossas.
Como morador recente da Fronteira Oeste, posso cometer a imprecisão por falta de vivência e convivência, mas penso que o que se observa na fronteira com o Uruguai é um cenário que mereceria ser replicado junto aos nossos vizinhos daqui do Oeste.
Parabéns pelos textos e contextos instigantes!
Heleno

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Professor universitário – mais do que “dar aulas”.


“No mês que vem o senhor terá uma folguinha, com as férias de julho”, comentou-me uma senhora, vendedora de frutas, ao ver-me cansado. Para ela, a atividade do professor é “dar aulas”. Sua filha, estudante universitária, disse-lhe: “Mãe, os professores da Unipampa fazem um monte de coisas, em julho não param, estão sempre ‘fervendo’”.

O que faz um professor universitário? Bem, para começar, se ele usar a expressão “dar aulas” vai arrumar encrenca com seus colegas pedagogos. Educação, segundo o grande Paulo Freire, “é relação de aprendizagem entre quem sabe que não sabe tudo (professor) e quem sabe de saber alguma coisa (estudantes)”. Nesta relação entre quem sabe de saber algo e quem sabe de não saber tudo é que está o ensino, atividade coletiva, multilateral. Mais do que “dar aulas”.

Mas ensino é somente uma parte da atividade do professor universitário. Há, também, a pesquisa e a extensão. Pesquisar, sozinho e em grupos de pesquisa, publicar o que se pesquisou e produziu (artigos, livros, capítulos de livros). Ler muito, estudar, escrever. Para pesquisar é preciso uma linha de pesquisa, e a uma linha de pesquisa se chega pela razão e pelo coração. As nossas relações afetivas e efetivas com linhas de pesquisa são quase como relações amorosas. As linhas de pesquisa são mais ou menos como mulheres lindas e inteligentes: elas são sempre complexas e variáveis. É preciso saber como chegar, como relacionar-se.

Além de pesquisar, o professor ajuda os estudantes a pesquisar. Para isso, é preciso tempo, muito tempo, já que pesquisar não é como fast food, é slow food, pizza a mão, esticando a massa, cozinhando-a em forno a lenha, lentamente...

Ensino, pesquisa, extensão. Extensão significa estender-se, esticar-se. É a universidade que se estica (se estende) até a comunidade. Ou a comunidade que se estica, se estende até a universidade. Extensão significa utilidade pública do saber universitário, estudar para mudar a sociedade, a universidade como meio de mudança social, e a comunidade como desafiadora da universidade, não permitindo que ela se feche.

Abrimos nossa caixa de correio eletrônico e encontramos pedidos de colaboração, de vários sujeitos, solicitando isso e aquilo. Eventos sobre isso e aquilo, todos vitais, na cidade, no Brasil ou fora do país. A comunidade ferve, e faz ferver a universidade. A universidade ferve, e faz ferver a comunidade. E nessa fervura toda, nós, professores, fervemos também.

Depois, tem o fato de a nossa universidade – Unipampa – ser uma universidade nova, situada numa fronteira sedenta de iniciativas, o que nos faz ferver bastante, felizes, mesmo se cansados. Para descansar a cabeça, escrevo artigos de opinião, terapêuticos para mim, pois faço, assim, meus balanços sentimentais e racionais semanais.

Penso que a melhor definição de professor universitário seja a figura do intelectual orgânico, expressão do pequeno-grande italiano Antonio Gramsci. Em suma, intelectual orgânico é o pesquisador dedicado, sério, metódico, que articula as relações entre teoria e prática, análise e estratégia, em função das mudanças sociais.

Ensino, pesquisa e extensão. Faltou a gestão. Ao menos nas universidades federais, que são de gestão democrática, além de ensino, pesquisa e extensão, o professor é chamado, também, a gerir o espaço onde trabalha, com seus colegas técnicos e os estudantes.

Por isso, quando os estudantes estão de férias, nós não “damos aula”, mas aproveitamos para trabalhar mais...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Chiara Luce Badano e Albertina Berkenbrock



(Lembrete - 15 de junho é festa de Albertina!)

Chiara Luce Badano foi beatificada em Roma, dia 25 de setembro de 2010.
Albertina foi beatificada em Tubarão, Santa Catarina, dia 20 de Outubro de 2007.
Duas meninas de cidades diferentes, países diferentes. Duas cidadãs da mesma cidade de Deus.

Albertina Berkenbrock nasceu na vila de São Luiz, sul do estado de Santa Catarina (Brasil), em 11 de abril de 1919. Foi assassinada no dia 15 de junho de 1931, aos 12 anos.
Chiara Luce nasceu em Sassello, Itália, no dia 29 de outubro de 1971, e faleceu no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, alguns dias antes de completar 19 anos.
Duas jovens que aderiram heroicamente à vontade de Deus, expressão que não significa resignação, mas libertação.

A pessoa de Deus e a vontade de Deus.
Para entendermos a vontade de Deus precisamos saber como é a pessoa de Deus. Deus é amor. Deus é Trindade. Deus é comunidade de amor. Deus quer que todos sejam um, como pediu Jesus antes de morrer (evangelho de João). Deus é pureza e quer que todos sejam puros de coração. Deus disse que são benditos os que amam a justiça, os puros de coração, os que são perseguidos por causa das boas notícias trazidas pelo nosso Deus, que foi carpinteiro em Nazaré, cidade que era pequenina como a Vila de São Luiz, onde nasceu, viveu e morreu a menina Albertina.

A vontade de Deus é humanamente libertadora. Politicamente libertadora. Deus nos quer vivendo a libertação do amor, da justiça, da pureza, da unidade entre todos os seres humanos, que não exclui a diversidade de culturas, mas as aprecia, como possibilidade, riqueza necessária à bela e santa unidade desejada por Deus.

Chiara Luce e Albertina viveram a justiça, o amor, a pureza, a unidade. Viveram a vontade libertadora de Deus, heroicamente. Santidade não significa separação do mundo, entendido como humanidade. Significa separação dos males do mundo, pelo combate interior, sobretudo, já que os males do mundo existem mais dentro do que fora de nós. Mas não significa separação da humanidade.

A santidade tem uma função social, além de uma origem social. Nasce na comunidade, pela humanidade, pela unidade da humanidade. Pureza, unidade, santidade, humanidade.

A vontade de Deus é social, pelo social, de origem social. Deus é social, Trindade, sendo pessoal. Trindade, humanidade, comunidade. Encontro do eu quando mergulha no nós. Personalismo comunitário, diriam Mounier e Maritain. Comunidade personalizante.

Chiara Luce conheceu aos 09 anos a espiritualidade comunitária do Movimento dos Focolares. Aos 17 anos, uma dor aguda no ombro esquerdo revelou nos exames e nas operações um tumor maligno nos ossos. Aos poucos, descobriu que viveria apenas mais alguns meses. Permaneceu alguns dias na cidade de Turim, numa casa emprestada por amigos, enquanto fazia seu tratamento no hospital da cidade. Ali, viveu 25 minutos que foram decisivos. Minutos de luta interior. Minutos revolucionários.

A vontade de Deus exige virilidade, coragem, adesão radical. Ela disse o seu sim, na intimidade mais íntima de sua alma. Quebrou sua alma por dentro, libertando-se como uma linda borboleta sai voando de um casulo. Deus é amor, pureza, justiça, unidade. Trindade, comunidade. O sorriso maduro, realista, profundo, divino de Chiara Luce é revelador de tal sublime realidade, eterna. Realidade maior (cidade de Deus-Trindade) já na realidade menor (cidade dos homens).

As últimas palavras de Chiara Luce: “Mãezinha, seja feliz porque eu o sou. Adeus”. Depois, várias outras palavras, silenciosas, revolucionárias, dirigidas do céu ao coração dos seres humanos, celular da alma, lugar de encontro entre a comunidade perfeita, do céu, e a comunidade em construção, na terra.

Albertina Berkenbrock também amava a vontade de Deus. Amava a liberdade, a pureza. Por amor ao amor, ela não cedeu a uma tentativa de estupro. Foi assassinada por alguém que conhecia, que ela ajudou, cuidando várias vezes dos filhos de seu agressor. Dele não recebeu o reconhecimento merecido, mas o corte na garganta que lhe tirou a vida na cidade terrestre.

Antes de irromper furiosamente sobre a menina, o agressor tentou seduzi-la. Ela disse não. O agressor pensou, então, que ela não resistiria à sua força física. Enganou-se. Albertina resistiu à violência psicológica do seu agressor, demonstrando não se tratar de uma menina ingênua. E resistiu, também, à violência física de um homem de 33 anos: ao redor da cena do crime havia muitas folhas amassadas e galhos quebrados, o que demonstra que ela lutou como pôde. Uma menina de 12 anos que sabia o que queria e o que não queria.

Percebendo que não conseguiria dobrar a vontade decidida de uma menina que agia movida por fortes convicções, o agressor decide eliminá-la. Corta-lhe a garganta, mas ela, nos poucos segundos de vida que ainda lhe restam, continuou lutando, como revelou o sangue espalhado ao redor da cena do crime*.

Já sem forças, ao cair encontra energias para cruzar suas jovens pernas: vitoriosa demonstração final de resistência à vontade criminosa de seu agressor. Vitoriosa demonstração de amor ao amor.

Mártir da liberdade, Albertina morreu lutando contra um homem que traiu a confiança dela e sua comunidade. Lutou contra o arbítrio. Lutou contra um tirano que tentou subjugá-la, mas não conseguiu dobrar sua vontade de amar o amor.

Albertina e Chiara Luce. Duas meninas fortes, decididas. Adesão viril, corajosa à vontade libertadora de Deus. Escolheram amar o amor, por amor, com amor. Estrelas-meninas da comunidade perfeita da cidade de Deus que brilham como referências gloriosas para nós, na cidade terrestre. Estrelas-meninas. Pureza, unidade com sabor de liberdade.

*CONGREGATIO DE CAUSIS SANCTORUM (P.N. 786). Beatificationis seu Declarationis Martyrii Serva Dei Albertinae Berkenbrock – Laicae (1919-1931). Positio super martyrio. Roma: Tipografia Nova Res s.r.l., 2002, p.31.

sábado, 4 de junho de 2011

Tempo bom pra mim é frio (Fábio R. Bento)


A moça do tempo da Globo
Disse que domingo tem tempo bom
Tempo bom pra ela é quente
Tempo bom pra mim é frio

O mate fica melhor
Pra ler também é bom
Cara gelada no frio
E um grito faceiro, de arrepio

Não é grito de bugio
É de felicidade...
De quem festeja a chegada do frio
Na mais nobre ou tenra idade

A moça do tempo da Globo
Disse que domingo tem tempo bom
Tempo bom pra ela é quente
Tempo bom pra mim é frio


Dia quente ninguém aguenta
Só a moça do tempo, não lamenta
Pensa em praia, areia, croquete de gente
Eu penso no inverno, vinho, linguiça e polenta

Chega o frio, o poncho corre do armário
Derrubando bolinhas de naftalina
A bombacha de lã o acompanha
Corre, faceira...
Todos juntos, agora perto da lareira

A moça do tempo da Globo
Disse que domingo tem tempo bom
Tempo bom pra ela é quente
Tempo bom pra mim é frio


Não sou da Família Addams
Mas no verão prefiro nublado
Nuvens amigas... Nem sempre compreendidas
Pouco amadas, às vezes odiadas

O calorão incomoda, mas o mundo gira
O bom do verão, é que ele um dia termina
Mais cedo ou mais tarde, volta o velho amigo frio
Ao menos para nós, aqui do sul do Brasil.

A moça do tempo da Globo
Disse que domingo tem tempo bom
Tempo bom pra ela é quente
Tempo bom pra mim é frio