sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Boas férias!


Desejo boas férias aos leitores do blog. Vou para o frio, descansar a cabeça. O blog vai ficar sem atualização no mês de janeiro.
Boas férias e Feliz 2011!
Obrigado pela sua companhia em 2010!
Fábio

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ibirapuitã – coração do pampa


Domingo, 21 de novembro de 2010. Com dois amigos, saímos do centro de Santana do Livramento em direção à APA (Área de Proteção Ambiental) do Ibirapuitã. Mais de 60 quilômetros de estrada de chão. Mergulhamos na brisa que pairava sobre o tapete verde do pampa.

Na metade do caminho, um cardeal de crista erguida cantava bravamente. O sol fazia o vermelho de sua crista ficar mais forte. Corpo azul e branco. As cores da Revolução Francesa anunciando uma manhã de liberdade, igualdade e fraternidade pelo canto valente de um cardeal gaudério, ave maragata do nosso pampa.

Lá na frente, uma lebre. Paramos novamente o carro, para admirá-la. Ela baixou as orelhas, ficou imóvel imitando uma pedra. Pensou que tinha nos enganado. Continuamos contemplando a beleza da preservação da natureza, APA, que não serve para a caça, mas para alimentar a alma pela contemplação de tal magnífico ambiente e suas belas criaturas.

Continuando, outra lebre, dois jacus, emas e mais emas, várias outras aves. Durante todo o percurso, cavalos crioulos. Cavalos possantes. Animais fortes e delicados, simpáticos, a beleza e a força sobre quatro patas, velozes, esvoaçando crinas longas, amantes da liberdade.

Estamos, agora, navegando nas coxilhas do mar verde do pampa, deserto verde, sem sombra, quente no verão e gelado no inverno. Sem sinal de celular. Sem nenhum outro carro além do nosso. É a região onde o homem se faz macho. Ao lado da estrada, uma vaca morta, em estado de decomposição, lembra que o mar verde do pampa, sem sombra, é um teste de coragem para homens e mulheres. Deixa-nos em estado de humildade. O mar verde do pampa assusta e encanta. Ondas do oceano pampeiro, coxilhas de veludo borbulhante.

“Será que pegamos a estrada certa? E essa fazenda que não chega...”. Medos, dúvidas misturadas à contemplação de magnífica beleza. Depois, lá embaixo, surge, finalmente, a fazenda centenária, cerca de pedra, árvores. Mais abaixo, próxima à fazenda, uma cinta de verde mais intenso, árvores e mais árvores dobrando-se pelo campo, protegendo um tesouro escondido, dominado pela timidez, receoso de revelar sua beleza.

Entramos no coração do pampa e encontramos o tesouro verde esmeralda, protegido por suas amadas árvores. Sua excelência reverendíssima o Rio Ibirapuitã! Beleza forte e frágil, protegido também pelo amor de uma legislação, APA do Ibirapuitã, templo da natureza, verde esmeralda, coração do pampa, alma da nossa alma de gaúchos, brasileiros, sul-americanos.

À noite, já em Santana do Livramento, banho tomado, show com Joca Martins, poeta das nossas coisas do sul, continuação falada, musicada, da riqueza pampeira do Ibirapuitã. “Qualquer lugar é querência, se houver cavalo crioulo”. Crinas livres, crioulas, soltas no vento, aquerenciando o coração de homens e mulheres amados pela vastidão verde do pampa, e pelo verde esmeralda de sua excelência, o Ibirapuitã.

Cardeal de crista vermelha; lebres; crioulos de crinas livres; coxilhas do mar verde do pampa; solidão e multidão; medo e felicidade; águas cristalinas, sussurrantes...
Beleza amada. Beleza contemplada. Beleza que precisa ser preservada.

Dos leitores, por e-mail:

Caro Fábio... mas que texto forte e bonito!
Sou Catarina : ) bom, na verdade virei apenas brasileira, porque de viver em Curitiba e no Rio, já me confundi. Mas sei que sou brasileira! : )
Agora... gosto muito desses termos da sua terra. Essa coisa de “coxilhas do mar verde do pampa” é coisa de Guimarães Rosa das paragens sulistas : )
Belíssimo!!! Abraços
Vívian

Divino!!! Eu conheci parte desta esmeralda, uma pedrinha, mas que traduz os teus versos (prosa poética)! Parabéns!
Marileia.

Brilhante, como sempre, e emocionante.
Cada vez tenho mais certeza de que apenas demora um pouco, mas a gente consegue estar num lugar, se encontrar com ele e consigo mesmo.
Abraço gaudério.
Nelson B.

Belo texto, Caro Poeta Gaucho!
Abraços aqui de Fortaleza, onde estamos discutindo interdisciplinaridade, inclusive aplicada aos estudos de compreensão e conservação do "ambiente" em sentido amplo.
Valdir

Fábio,
Obrigado pela descrição poética da natureza. Pela sua narrativa também fizemos o passeio junto contigo.
Um grande abraço.
Poncio

Bom dia Índio Velho!
Obrigado... gostei muito! Assim comecei bem o meu dia de labuta.
Grande abraço!
João Ary

Obrigado Fabio.
Um dia destes gostaria de conhecer estes lugares que nos fazem pensar ao paraíso.
Abraço
Fernando

Muito lindo. Escrito com alma de poeta.
Abraço.
Sirlene

Fábio
Que privilégio poder encontrar territórios onde o progresso, sem alma, ainda não chegou.
Assim, dizem, era o paraíso: lugar primoroso do qual fomos expulsos, do qual também temos saudades e para o qual parece que todos desejariam retornar.
Pois, amigo, parece que você consegui se lambuzar de beleza original.
Abraço
Mânfio

Obrigado Fábio por esta “visita a este ‘Paraíso terrestre’”. A tua descrição é tão fotográfica que tive a sensação de estar viajando com vocês.
Gilberto

Boa tarde professor!
Acabei de ler o artigo sobre o Ibirapuitã, muito linda a tua descrição... aquele lugar possui uma energia incomparável mesmo. Podemos sentir a história passeando por nossos sentidos, em forma de aromas, imagens e sons. A proteção desses ambientes é imprescindível para que as futuras gerações possam ter a noção de como era o habitat de seus ancestrais mais remotos, e as condições em que foram formados alguns alicerces de nossa cultura...
Abraço
Leonardo Borges

Pampa para sempre


Obrigado meu Deus, pelo pampa, por todas as suas criaturas, tuas criaturas, e livrai-nos da tentação do eucalipto e pinus, agora e sempre, na nossa APA e em todo o pampa.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Livramento - Dezembro de 2010


Santana do Livramento, 12 de dezembro de 2010. Domingo.
Pela manhã, calor de verão. Após o almoço, frio de rachar.
Na foto, de pala e, mesmo assim, com frio, a prova de que o clima anda mesmo meio estranho...
O único clima que continua estável é o da alegria gerada pela companhia de amigos, cavalos, cachorros...
Na moldura pampeira da fronteira...