quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O segredo da felicidade de Chiara Luce


Escrito em co-autoria com Anna Carletti

No sábado passado, dia 25 de setembro, mais de 20.000 pessoas, sobretudo jovens, vindos de todas as partes do mundo, se encontraram em Roma para festejar o reconhecimento da santidade de vida de uma jovem italiana, Chiara Luce (Clara Luz) Badano, falecida aos 18 anos por um tumor nos ossos. Uma vida, a de Chiara Luce, aparentemente simples, sem nada de extraordinário, comum aos jovens de sua idade: a escola, o esporte, as reuniões de final da tarde com os amigos na praça da pequena cidade onde ela vivia. Contudo, quando a grave doença é diagnosticada, algo de surpreendente acontece. Chiara Luce, após momentos de inevitável decepção, raiva diante da notícia que interrompe bruscamente seus projetos, seus sonhos e que a distanciaria sempre mais de uma vida ordinária, é capaz de reagir, de aceitar a doença e de transformá-la no segredo de uma felicidade profunda e douradora que espalhou ao seu redor até o final de sua vida.

Qual foi o segredo que tornou a experiência de Chiara Luce mundialmente conhecida? Aos nove anos de idade, junto com seus pais, Chiara Luce participou de um encontro mundial de famílias, o Family Fest, organizado pelo Movimento dos Focolares. Ali, ela aprendeu que o evangelho pode ser vivido, e que havia um Pai que a amava imensamente. Com outras meninas e meninos de sua idade, ela se lança em viver dessa maneira, fazendo do amor seu novo estilo de vida. Por exemplo, no dia do seu aniversário, tendo recebido uma boa quantia em dinheiro, decide doar tudo em prol de projetos de desenvolvimento na África. Com seus colegas de escola, nunca falava de Deus, pois ela queria transmiti-lo por meio de suas ações, do seu amor atento e delicado.

Amava praticar esporte, principalmente o tênis. E foi justamente jogando tênis que a doença se manifestou. Uma dor aguda lhe fez cair a raquete da mão. Era o início de uma longa e dolorosa doença que lhe tirou o uso das pernas e a obrigou a longos períodos no hospital. Após dois anos de tentativas, a medicina não tinha mais o que fazer, e Chiara Luce voltou para casa. O pai de Chiara, no dia da beatificação de sua filha revelou que foram dois anos especiais, a realidade era de dor, mas o amor de Deus os mantinha como que em um nível mais elevado onde o amor que eles experimentavam era mais forte. Chiara Luce, no início de sua doença, num diálogo silencioso de 25 minutos com aquele Pai do qual se sentia amada imensamente, conseguiu dizer seu sim e acreditou que a doença se tornaria um instrumento de santificação, um caminho especial por meio do qual poderia doar a todos a realidade de felicidade e Luz que experimentava dentro dela.

Os médicos ficaram impressionados pela sua coragem, pelo amor dado a quem ia visitá-la. Jovens e adultos saiam daquele quarto revigorados pela certeza da presença de Deus amor que eles viam nos olhos luminosos de Chiara Luce. Ela recusou a morfina, não obstante as fortes dores na coluna. O motivo por ela alegado é que lhe tirava a lucidez, e ela queria ficar lúcida para oferecer perfeitamente as dores que sentia.

Com sua melhor amiga, preparou o seu funeral, escolhendo as músicas, as flores, a roupa de noiva que ela vestiria naquele dia, que queria fosse tão belo quanto uma festa de núpcias. Mesmo sofrendo, continuava a menina alegre de sempre, brincava com seus pais, com os amigos, gravava mensagens para se fazer presente nos encontros do movimento, já que não podia mais participar fisicamente. No seu quarto, assim como no seu coração, cabia o mundo.

No último dia, quando percebeu que o momento de sua partida estava se aproximando, pediu para a mãe que deixasse entrar as pessoas que tinham vindo saudá-la. “Vou tirar o oxigênio para que não se assustem”. Saudou cada um, deixando especialmente para os jovens de sua idade a tarefa de levar para frente o Ideal de sua vida. Por fim, despediu-se de sua mãe. Acariciando-lhe os cabelos, disse: “Mãe, seja feliz, porque eu o sou”. A experiência de Chiara Luce chegou aos 04 cantos do mundo e, também, no mundo virtual, por meio do Twitter, Facebook, Youtube.

sábado, 25 de setembro de 2010

Chiara Luce Badano


Chiara Luce agora é Bem-aventurada!
Exemplo de vida para mim, para ti, para nós.
Chiara Luce Badano nasceu em Sassello, Itália, no dia 29 de outubro de 1971, depois que os pais a aguardaram por 11 anos. Aos 09 anos conheceu a espiritualidade do Movimento dos Focolares. Viveu-a e pouco a pouco envolveu os pais. Aos 17 anos, de repente uma dor aguda no ombro esquerdo revelou nos exames e nas operações um osteossarcoma (tumor maligno nos ossos), que deu início a um calvário de dois anos aproximadamente.

Não perdeu o seu sorriso luminoso. Repetia: “Não tenho mais nada, contudo, tenho o meu coração e com ele posso sempre amar”. O seu quarto, no hospital, em Turim, ou em casa, era um lugar de encontro. Os médicos ficavam desconcertados com a paz que se sentia ao seu redor. Os amigos que a visitavam para consolá-la voltavam para casa consolados. Chiara preparou-se para o encontro com Deus: “É o esposo que vem me encontrar”. E escolheu vestido de noiva, canções e as orações para a sua missa, que deveria ser uma festa, onde ninguém deveria chorar. Encontrou-se com o “esposo” no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, depois de uma noite muito dolorosa. Estas foram suas últimas palavras: “Mãezinha, seja feliz porque eu o sou. Adeus”. Ela também fez a doação das suas córneas.

Chiara Luce Badano foi beatificada hoje, em Roma, dia 25 de setembro de 2010.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Em defesa da farofa e do Doggy Bag

Chegou a farinha amazonense que encomendei. Amarela. Ouro comestível. Sabor incomparável. Farinha de Maués, cidade que, para quem não soubesse, está a um dia de viagem de barco de Manaus. Maués é a cidade do guaraná, com suas frutas de olhos de índias. Cada região com a sua riqueza. A carne do sul é boa, mas a farinha do norte é muito melhor. Por lá vive, também, com seu sabor inigualável, Madame Tambaqui, lindas costelas coloridas de laranja pelas brasas.

Faço farofa apenas com óleo de oliva e sal fino. Não gosto daquelas farofas com ingredientes não identificados. A farofa feita com farinha do norte é tão boa que basta o seu sabor. É como a carne boa, que não pede temperos, apenas sal e fogo. Farofa amarela, crocante, saborosa, combina com tudo. Boa e bonita. Enfeita o prato, branco. Prato colorido confunde a vista. Prato tem que ser branco, tela do quadro, gastronomia é pintura comestível, fumegante, arte que alimenta os olhos, o corpo e a alma.

Sou farofeiro no duplo sentido da palavra. Amo farofa e amo aquele comportamento que alguns brasileiros que se consideram chiques abominam: levar comida de casa. Quando viajamos e conseguimos tempo para organizar o lanche, preparamos sempre uns pãezinhos recheados com presunto e queijo. Preferencialmente presunto cru e queijo em lascas grossas (não gosto de queijo fatiado, prefiro o sistema Jerry, do inoxidável cartoon). Certa vez, viajando de Santana do Livramento para Pelotas, paramos na praça central de Pinheiro Machado, abrimos nossa sacola do fiambre e saboreamos nosso lanche caseiro, entre copos de água e suco de vinho. Farofeiros inveterados! Recolhemos o lixo. Na praça, ficaram apenas os farelos, que foram logo varridos pelos pássaros.

Por onde viajamos costumamos praticar o farofismo. Já é uma tradição. Na Itália, em vez de pagar caro por um sanduíche pronto, costumamos comprar o necessário no supermercado e preparar os lanches antes de viajar. É mais saboroso, barato e divertido. Até o vinho em garrafinha costumo carregar para o lanche, exceto quando dirijo. “Apologia à farofa é crime!” – esbraveja o brasileiro chique.

Outro costume que atrai negativas com a cabeça é pedir para embrulhar a sobra do restaurante para levar para casa. Inicialmente, eu dizia que era para o cachorro (mas era para mim). Depois, botei a culpa na babá, que estaria em casa faminta. Agora, perdi de vez a vergonha: “Garçom, enrola a boia sobrada que vou comer depois”. Caso você fique com vergonha, use o idioma do Jerry para amenizar o impacto: “Garçom, a conta e o Doggy Bag”, que significa embrulhar a comida sobrada e levar para comer em casa. Uma pesquisa revelou que o Doggy Bag está em alta. É o farofismo que avança.