quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Marxismo e fraternidade universal

Karl Marx, assim como eu e você, foi um ser humano, nasceu num dado lugar, numa dada época, foi pai e esposo, estudava muito, também com seu amigo Engels. Não foi um deus, um anjo, nem foi um demônio, mesmo sendo demonizado por seus adversários.
O marxismo se funda no amor pelas classes dominadas e pela superação das desigualdades sociais. O marxismo origina-se na compaixão pela dor dos pobres, no amor pelos que sofrem trabalhando sem limites de horas, sem receber pelo que produzem no capitalismo effrenus (sem freios). Compaixão e desejo de superar as desigualdades sociais, mantendo apenas a boa diversidade cultural que caracteriza a vida social. Assim como a burguesia tem seus intelectuais, Marx foi um pensador a serviço da emancipação do proletariado.

Na parábola do Bom Samaritano, o marceneiro de Nazaré explicou que o amor começa na compaixão diante do ser humano que foi agredido. Mas não basta isso. É preciso que a compaixão seja transformada em ação, superação. O Samaritano cuida, concretamente, do assaltado. Compaixão e ação, cuidado prático. Nos dias de hoje, com a consciência que temos das razões dos problemas sociais, a compaixão se concretiza com ações reformadoras e com ações sociais voltadas para a modificação das relações de produção. Ações reformadoras são aquelas socialdemocratas. Existem também as ações assistenciais. Marx não combatia tais ações, mas as considerava paliativo. Para ele, o nó do nó da questão social moderna não estava na burguesia, nem no mercado, mas na hegemonia burguesa que se sustenta na propriedade privada dos meios de produção e domínio do Estado, com suas forças repressoras e ideológicas (manipuladoras). Luta contra as desigualdades sociais pela substituição da hegemonia da burguesia pela hegemonia popular, edificando o Estado Popular, representativo das classes dominadas no campo e cidade.

Nessa substituição de hegemonia está a revolução social marxista, não na luta armada. A violência não é a nota típica de Marx, que desprezou a violência real contida na dominação de classe. É o conservadorismo das classes dominantes que empurra os adversários da desigualdade para a luta armada, tornando-a parteira de mudanças. Condição imposta pelos dominadores mais do que uma opção dos dominados em suas lutas de libertação social.

Revolução social marxista significa popularização dos meios de produção e não mera luta armada. Se uma Assembleia Constituinte, representativa da maioria, decidisse pela nacionalização dos meios de produção, com a substituição da hegemonia burguesa pela hegemonia popular (Estado Popular), a revolução social marxista ocorreria de forma parlamentar. Para isso, as forças armadas deveriam estar do lado da maioria, do lado do Estado Popular, em vez de funcionar como uma espécie de empresa de vigilância privada da burguesia local e internacional.

Na América Latina, forças armadas locais, associadas a governos dos EUA, eliminaram milhares de militantes da igualdade, marxistas e reformadores, desde a Guatemala até o sul, Chile e Argentina, para defender a hegemonia burguesa, local e internacional, essa sim uma classe extremamente violenta e manipuladora na defesa de sua hegemonia. O amor social, a concepção de fraternidade do marxismo é muito mais universal do que a falsa fraternidade de classe, parcial, exclusiva, minoritária defendida pela burguesia.