sábado, 21 de dezembro de 2013

Opção pelos Pobres e Teologia da Libertação nas Relações Internacionais

Na fila do banco conversei com uma senhora, faxineira. Trabalha tantas horas por dia, sustenta tantos filhos, não tem marido, nem seus filhos têm pai. Fiz o que tinha de fazer no banco e, voltando para casa, pensei: “A sociologia não tem sentido se não for uma sociologia para superar a exclusão social, ou, ao menos, para diminuí-la, e muito”.

A direita católica, conservadora, não gostava da expressão, mas ela continua atual: Opção Preferencial pelos Pobres. O amor universal começa pelos pobres e neles encontra sua preferência. Opção Preferencial pelos Pobres. Uma teologia que tenha nesse amor seu lugar central de reflexão. Uma teologia que tenha nas práticas desse amor seu lugar central de reflexão. Afinal, Deus gosta de quem ama o irmão abandonado.

Os pobres ensinam que a luta inteligente, organizada contra a exclusão continua viva dentro e fora das fronteiras nacionais. Na ciência das Relações Internacionais, Opção Preferencial pelos Pobres implica, sobretudo, orientar os estudos, as pesquisas para a compreensão da (des) igualdade entre os Estados, optando pelo trabalho intelectual e por outras ações voltadas para a superação da exclusão dos Estados que “não contam”, segundo a ótica dos países que tratam o mundo como se fosse quintal da casa deles.

No âmbito internacional, Opção Preferencial pelos Pobres significa optar pelo Sul (político, econômico, e não apenas geográfico) do mundo como lugar a partir do qual as mudanças devem ser compreendidas e atuadas. Lutar pela igualdade entre os Estados compreendendo as razões de tal desigualdade. Trabalhar por uma integração internacional que seja inclusiva, paritária, em vez de subordinacionista, exclusiva. Superar a pseudointegração internacional colonialista e neocolonialista.

Passados os anos do calorão sectário do final da guerra fria, onde vigorou a publicidade liberal e neoliberal contra os valores da esquerda nacional e internacional, leiga e cristã, agora que a poeira reacionária começa a baixar, cabe retomar o que continua atual. Os problemas gerados pelo capitalismo continuam atuais. Os meios hermenêuticos de luta pela transformação intra e internacional continuam válidos, assim como a sensibilidade e ação em relação às vítimas do sistema, os pobres, excluídos, os Estados esquecidos depois de serem saqueados pelo colonialismo.

A hermenêutica cognitiva e axiológica da Teologia da Libertação e da Opção pelos Pobres continua atual porque os fenômenos de exclusão organizada, nacional e internacional, continuam vivos na sua dramaticidade. Opção pelos Pobres e Teologia da Libertação nas relações nacionais de exclusão e nas relações internacionais de exclusão. Teologia política da libertação a partir do sul do mundo. Todos os Estados são Estados dignos, com seres humanos dignos.

Ora, um cristão não deveria ficar fora desse amor político, local e internacional, desse amor mundi, dessa luta pela igualdade intra e internacional que privilegia a ótica austral na luta contra a exclusão internacional. Um cristão deveria preferir os Estados mais pobres, excluídos, inspirado na Trindade, onde não existe subordinacionismo, mas integração paritária, inclusiva, unidade na distinção entre sujeitos de igual valor.

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