domingo, 26 de maio de 2013

Há luz no fim do túnel

Ficar sem rumo,
Como se o horizonte tivesse caído
Ficar sem uma utopia, mesmo pequena
Ficar sem esperança, coletiva...
Crise política, espiritual.

Vai-se caminhando, aos poucos
Não parar...
Não tentar achar consolo onde não há
O consumo não é consolo
Continuar caminhando

A turbulência interior fortalece a esperança
Amadurece, fortalece
Passar pelo caminho do medo, do vazio

Depois, as luzes voltam
A luz expulsa o medo
A força dá coragem ao medroso
O rumo volta, melhor
O horizonte se mostra luminoso

O caminho se faz alegre
De alegria sóbria, focada no rumo
Focada em quem sustenta a esperança
Que não decepciona
Focada no céu
Que é quem sustenta a terra.

domingo, 19 de maio de 2013

Viajar

Melhor que ter uma casa
É ter uma mala
Viajar, conhecer outras pessoas, outros lugares
Rever outras pessoas, outros lugares
A única forma de consumo que me atrai
É viajar
Carro, TV, celular, computador?
Não vejo poesia neles
São apenas eletrodomésticos
Não despertam sonhos
Viajar é o que mais me realiza
Pois viajar é o que mais manifesta aqui
A vida futura, dali

O céu é feito de encontros e reencontros
Entre uma infinidade de pessoas diferentes
Uma infinidade de lugares diferentes
O infinito que se encontra sem parar
Com solenidade em cada encontro
Isso é o céu, a vida futura da Trindade
Na Trindade

Melhor que ter uma casa
É ter uma mala

No céu não há tédio
Porque não há obstáculos aos encontros
Aqui, se chove, se não temos dinheiro,
Se não temos tempo, não nos encontramos
E não encontrar-se, reencontrar-se, é o inferno.
“Mas na família nos vemos sempre, dentro de casa”
Quem pensa assim se confunde
Família fechada é família burguesa
Família boa é a que viaja junto
Movimenta-se, encontra-se, reencontra-se
Família aberta ao mundo,
Em vez de tentar fechar o mundo
No seu mini mundinho.

Por isso, melhor que ter uma casa
É ter uma mala, e uma casa, de pouso, pousada
Para guardar a mala
Na sala.

domingo, 12 de maio de 2013

Militância fronteiriça – do MERCOSUL ao POVOSUL

As populações das cidades de fronteira viveram por anos abandonadas pelos seus Estados, quando fronteira era o lugar da marginalidade nacional, e os Estados se preocupavam com as cidades do litoral e as dos seus miolos, centrais.

Aqui na fronteira Brasil-Uruguai, as populações, esquecidas por seus governos, foram crescendo pelo caminho da integração de fato, integração para a sobrevivência, identificando vantagens e desvantagens nesse e naquele lado da fronteira de acordo com as crises políticas e econômicas do lado de lá e do lado de cá.

Integração de necessidades e interesses: comprar aqui para usar ali, ou comprar ali para usar ou vender aqui, foi uma forma de sobrevivência econômica desses dois povos que cresceram juntos, com identidades nacionais diferentes, mas em um mesmo círculo real de identidade compartilhada, binacional, fronteiriça.

Hoje, a “cabeça ideológica” dos Estados está mudando em relação às fronteiras. O mundo bipolar terminou e, nessa etapa multipolar de nossa história internacional, alguns Estados vão se agrupando nesse cenário multipolar. Governos de Brasil e Uruguai vão deixando de ver as fronteiras como lugares de separação territorial, de divisão nacional, passando a vê-las como possibilidade privilegiada de qualificação da integração.

As cidades de fronteira do Brasil e Uruguai já são integracionistas há décadas. Antes dos Estados descobrirem a integração, nas cidades de fronteira do Brasil e Uruguai já se vivia a integração de fato. Integração de povo, sem apoio dos Estados.

Agora, porém, que os Estados “despertaram” para a integração, eles poderiam fazer mais pelo povo fronteiriço, que ainda vive preso aos gargalos jurídicos que impedem a colaboração de municípios e intendências binacionais nas áreas da saúde, educação, transporte, segurança, cultura, assistência social, já que as leis são feitas para quem vive no miolo dos Estados e não para os que vivem em cidades integradas, binacionais de fronteira.

O paradoxo da integração regional é que as populações precisam de um instrumento de integração, mas não o têm, e os Estados gastam com uma estrutura que deveria ser integradora, e não o é. O problema do MERCOSUL é que ele começou pelo lado errado da integração, pelo mercado das grandes empresas. Não começou nem pelo povo nem pelo mercado do povo, mas pelo mercado dos grandes. Em vez de um POVOSUL, ou PUEBLOSUR, tivemos esse início errado, focado no mercado para grandes empresas. O povo precisa de um instrumento ao menos binacional de integração, e não o tem, já que o MERCOSUL está distante da fronteira não somente do ponto de vista físico, mas político.

Assim como o povo fronteiriço das cidades da fronteira Brasil e Uruguai, também sou integracionista, no estilo da fronteira: integração de fato, material, e não mera metafísica da integração. Militância fronteiriça significa também torcer e trabalhar para que um dia possamos ter um instrumento útil de integração regional, focado nos problemas reais dos povos, quem sabe ocupando a sede do MERCOSUL e mudando seu nome e sua identidade para POVOSUL, ou PUEBLOSUR.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Descendo para o sucesso



Humildade, criatividade
Olhar para baixo, a própria terra, húmus
Fazer algo de bom com ela
Como o João-De-Barro que, bicando no chão
Fez sua casa de terra,
Bela