domingo, 21 de abril de 2013

Família, amigos, ideologia

Família está acima de ideologia.
É bom manter o respeito, a calma
Debates políticos passam
O chimarrão com a família continua

O mundo é um lugar polêmico, contraditório.
Não ser polêmico não significa fugir da polêmica do mundo
Mas entrar nela com respeito pelo adversário.
Ainda mais quando ele for teu amigo, ou parente.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Chimarrão, meditação

Quando nos damos conta estamos correndo, debatendo, opinando e atropelando o tempo, as pessoas, nós mesmos. Viver engajado na vida, com nossas ideias sobre o presente, o futuro e o passado político do mundo, mas sem atropelar o tempo, o amor.

Chega um momento em que paro, com o chimarrão, em meditação, e volto ao amor. “Te acalma tchê, não atropela o tempo”, comanda minha consciência. Estico as pernas, olho para as coisas que amo e para as que não amo... A água desce lentamente na cuia e forma a espuma quente, verde do chimarrão. Olho para ela e me acalmo, rindo da hipocrisia política do mundo, rindo de minha pressa inútil. Volto, então, a viver engajado no tempo, na militância eterna do vento.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Bruno Brunello

Bruno Brunello, grande ser humano que tive o prazer de conhecer, um mestre, mestre em educação, humanismo, políticas públicas. Homem competente, dedicado, sério no trabalho e um doce de pessoa nas suas relações. Vou procurar seguir algumas de suas tantas lições. Para ele, turismo não é mera "válvula de escape" pequeno-burguesa, mas um instrumento de transformação social. 
O turismo tem uma função política, transformadora da realidade, deve ser orientado para a qualificação dos jovens, dos pobres, da sociedade. Orientado para a diminuição das desigualdades sociais, para a diminuição da pobreza. Em sua biblioteca, na Itália, livros de autores católicos, e as obras completas de Marx e Lênin.
Morreu no final de fevereiro, na Itália. Ultimamente sentia sua doce presença, forte, bela, ao meu lado. Hoje um amigo me disse que ele faleceu há menos de dois meses. Bruno continua agora vivo na Cidade de Deus, e sua luz permanece indicando o trabalho social como caminho de amor político que, por ser amor verdadeiro pelos pobres, pelos excluídos, é amor eterno.

domingo, 7 de abril de 2013

Revisão de vida

A minha chegou entre os 49 e 50
Trocar a grosseria pelo respeito
Trocar a crença na própria força pelo reconhecimento da própria fragilidade
Trocar o excesso de projetos, de desejos políticos, pela humildade,
Pequenas coisas, deixar de ser escravo das próprias ambições altruístas.
O meu esgotamento é político,
Excesso de desejos,
De melhorar muitas coisas
Por meio do que pesquiso e publico

Excesso de desejos, projetos, frustrações
Trocar, então o verbo desejar
Pelo verbo amar, nas pequenas coisas
Depois dos 50, voltar a ser menino
Para viver, ou mesmo sobreviver...

sábado, 6 de abril de 2013

Fiz 50

Fiz 50 e não fiz nada, ou pouco
Trabalhei numa favela, por anos
Voltei à favela, que continua favela
Li muito,
Escrevi muito, mas não escrevi nada
Nada de relevante.
Não fiz uma revolução, como queria
Nem armada nem a do amor

Fiz 50, e não fiz nada, ou pouco
Duas filhas, lindas
Cresceram bem, estão crescendo bem
Com minha esposa vai bem
Desde o ano passado, melhor ainda
A felicidade não está no alto
Está aqui, no baixo
A felicidade não está no alto
Está embaixo, aqui no baixo
Nos meus pés, lava-pés
A felicidade está na casca da laranja
Na casca da banana
Não sou famoso não tenho sucesso
Nunca saí em rede nacional, nem estadual
No ônibus, ninguém sabia quem sou.
Não fiz nada nem acho que vou fazer
Vou ser assim, como sou, nada
Bonito, porém, como a casca da laranja
Que meus amigos comeram.

Em comum com os grandes homens
Terei a morte
Getúlio Vargas, morreu
Prestes, morreu
Gumercindo Saraiva, morreu
Che, morreu
Gramsci, morreu
Garibaldi, morreu
Neruda, morreu
Gardel, morreu
Em comum com os grandes homens
Terei a morte, a última viagem
Sem conhecer o avião
Nem a aeromoça
Sem conhecer a comida da viagem
Sem saber aonde chegarei
Se chegarei
O céu não é para mim
Na melhor sorte, ficarei para sempre esquecido
Como já vivo agora
Esquecido de mim mesmo, melhor
Descobrindo a vida, no baixo
Vou ser assim, como sou, nada
Bonito, porém, como a casca da laranja
Que meus amigos comeram.