sexta-feira, 15 de março de 2013

Povo, poder e meios de telecomunicação




“Lá em Cuba e na Venezuela não há liberdade de expressão”, dizia um telejornalista. E aqui? No Brasil, se um telejornalista da TV X falar mal dela, está na rua. Se falar mal do político que o dono da TV X apoia, também está na rua. Mesmo assim, eles dizem que o Brasil é o paraíso da liberdade de expressão.
No Brasil, há liberdade de discordar publicamente de todas as ideias, exceto das de quem paga teu salário de telejornalista. O mesmo vale para o telejornalismo de política internacional: o telejornalista opina de acordo com a cartilha ideológica adotada pelo dono da TV. Sendo o dono da TV X contra a política de integração sul-americana, para citar um exemplo, o telejornalista convidará para debater isso na TV X somente os professores de relações internacionais alinhados contra os governos de esquerda da América do Sul. Ou seja, o que existe é liberdade de concordar com o dono da TV e seus aliados ou procurar emprego noutro lugar.
Numa democracia que queira ser popular, o mais importante não é a liberdade de expressão do dono da TV X, mas a soberania popular. Bem-estar para o povo, para a maioria do povo, é o centro da democracia e não essa demagógica ideia de liberdade de manipular que o dono da TV X e suas mentes telejornalistas de aluguel chamam de liberdade de expressão, demagogia maquiada de liberdade com a ajuda de seus profissionais do marketing.
Telejornais e televisões são grupos de interesse, lobbies que atuam de forma organizada em favor de alguns partidos, contra outros, no âmbito nacional e internacional.
Hoje, os socialistas não falam mais de tomada das fábricas. Até o Partido Comunista Chinês entendeu que a burguesia é melhor na gestão de fábricas. Socialismo de mercado, socialismo com burguesia. O que deveria, porém, ocorrer é a tomada popular dos meios de comunicação. Popularização dos meios de comunicação, poder de comunicação para o povo soberano em vez de ser poder de manipulação dos donos da TV X e seus aliados nacionais e internacionais.
Teoricamente, tal poder é do povo. Na prática, porém, não o é. Para o povo, hoje, de fato, também em comunicação, sobrou somente carne de pescoço.
A socialização dos meios de comunicação, ou desconcentração popular da propriedade sobre os meios de comunicação, devolveria ao povo um poder que é dele e ajudaria a libertar os profissionais do jornalismo que concluem as faculdades de comunicação cheios de boa vontade, mas, depois, são obrigados a se prostituírem  ideologicamente para conseguir um emprego e continuar trabalhando.


Um comentário:

Anônimo disse...

Uma ótima análise. É isso mesmo que precisa ser dito. Senão, parece que vivemos em uma maravilha de país, onde há democracia nas comunicações. O que há é uma concentração, que somente agora com as redes sociais estamos conseguindo mostrar de forma mais clara. Como diz um amigo jornalista, Mario Xavier, agora a mídia somos nós! Mas é preciso muito mais, precisamos uma revolução da informaão em nosso país. Haja visto a "overdose" papal e tantos outros temas que virão por aí, como Copa do Mundo, Telenovelas, Propagandas enganosas e contra a saúde pública, banalização da violência e distorção das representações de homem e mulher (homem=macho, mulher=puta), tudo isso há décadas em nossas casas, via TV. Bueno, saudações pela lucidez do texto.

marlon aseff.