quinta-feira, 7 de março de 2013

Discordar amando



Opinar é bom, mas mantendo o respeito por quem pensa diferente. Há os que odeiam Fidel Castro, e os que odeiam os que o odeiam. O mesmo vale para o Che, para a blogueira cubana, para o Chávez, para o FHC, para o Lula, para o Vaticano: uns amam, outros odeiam, outros odeiam os que odeiam. Ora, assim como há regras para o uso do celular, sugeridas pelo bom senso, deveria haver regras para o como opinar, por exemplo, em redes sociais.

O objetivo seria compartilhar isso e aquilo entre amigos, sem degenerar em palanque de ódios. Ser contra ou a favor é normal, a patologia da coisa se manifesta no como se é contra ou a favor, conversando ou quebrando todos os pratos do armário, como se todos fossem obrigados a ter as mesmas ideias e sentimentos.

Tenho procurado me controlar e, graças a Deus e aos amigos, não tenho caído na tentação de responder ao ódio com ódio. Ao menos não tenho atingido níveis elevados. Mudo de foco, espero um pouco, procuro tratar com respeito quem de vez em quando me escreve com ódio por não gostar do que eu gosto, ou por não pensar como ele, ou ela, pensam.

Não faz bem para a saúde geral (espiritual, do coração, do sangue) perder a calma. Manter a calma também porque sou sociólogo e todos os bons “pais fundadores” da sociologia recomendavam o método da objetividade, do desapego em relação aos valores contidos no objeto de estudo e no coração do pesquisador. É uma boa regra essa da objetividade, do desapego, da imparcialidade analítica. Boas opiniões tornam-se vasos quebrados quando perdemos a calma e objetividade analíticas ao manifestá-las.

Outro bom motivo para não perder a objetividade?  Quem se encolerizar contra o próximo já pode ser considerado réu no tribunal divino do amor (Mateus 5, 21-22). Eu não tenho medo de Deus, o que tenho é respeito e gratidão, duas manifestações de amor. “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16). E o colinho de Deus é um lugarzinho bem bom de se permanecer, entre tantos lugares ruins que existem por aí.

Permanecer calmo na polêmica não é fácil, mas necessário. A luta é árdua, mas estou convencido de que vale a pena. “Bem-aventurados os mansos”, que são os que não nascem mansos, mas vão se fazendo mansos, aos poucos, mais pela força das amizades (divinas e humanas) do que pelo mero passar do calendário. Assim, lutando, continua-se opinando, mas priorizando muito mais o verbo amar do que o verbo opinar, empregando algumas vezes a melhor das palavras, que é a palavra não dita.

2 comentários:

Cristina disse...

Belo texto Fábio! Ter essa postura é bastante difícil as vezes, diante de tantas opiniões desacertadas baseadas no senso comum. Ainda assim, o melhor mesmo é cultivar a mansidão...
Obrigada! Abraços!
Cristina

Renato disse...

"Permanecer calmo na polêmica não é fácil, mas necessário."
É muito verdade. Às vezes trocamos as pessoas pelas ideias, o que também é vaidade. É difícil mas contar até 20 é necessário, e exercitar o amor é que o faz crescer. Ser mais forte na maioria das vezes é conseguir se calar, e não fazer calar o outro.
Compartilho da mesma luta que o senhor, e o Senhor tbm tem me ajudado.

PS: meu ânimo é o que dizem: a idade amansa a gente, e já sou mais comedido que há pouco tempo atrás. Chegarei lá. (risos)