terça-feira, 26 de março de 2013

Em Pelotas, empurrado pelo vento

Nasci em Piratini em 1963, mas meu segundo nascimento foi em Pelotas. Não lembro o dia, mas foi em abril de 1980, Rua Professor Araújo. Numa tarde daquele abril, escutava música e faltou luz. Fui pegar um livro. Abri um Novo testamento que ganhara no Colégio Gonzaga, onde estudava. Fazia anos que ele estava lá em casa. Levantar da poltrona e abrir esse livro marcou um antes e depois em minha vida.
Minha relação com a religião não era boa, ou ao menos com as aulas de religião. De fato, eu fora dispensado das aulas de religião fazia quase dois anos. Aos 17 anos eu me perguntava sobre o sentido da vida, como tantos dos meus amigos e amigas. Queria estudar oceanologia. No início da tarde comecei a ler o livro. Em uma semana li e reli o Novo Testamento. Li um livro, mas fiquei com a impressão de ter sido lido por ele. Gostei da figura de Jesus, sempre pelas ruas, com lições de amor e humildade. Gostei do que li, mas gostei muito mais do que vi e senti. As coisas que antes eram opacas passaram a ter brilho. Tudo brilhava mais, até mesmo quando eu fechava os olhos. Senti paz, alegria. Comecei a entrar em conexão com outros sentimentos, pela meditação. Nem sabia que estava fazendo meditação. Nem sabia com que mundo eu me comunicava, pelo coração, quando fechava os olhos. Mas percebi que há mais vida do que a vida antes e depois da certidão de nascimento e óbito. Saía do tempo e entrava em outro tempo, um tempo sem tempo, mesmo estando no tempo. Comecei a me relacionar com o vento que me amava, soprando dentro de mim, que me dava alegria, paz, vontade de viver, lutar. Depois, chamei esse vento de Deus, amor, pai, amigo.
Em vez de oceanologia, resolvi estudar direito. Em março de 1981 ingressei no curso de direito da Universidade Federal de Pelotas. O vento de amor que descobri dentro de mim, mas que era muito maior do que o meu pobre eu, sugeria sempre que eu devia amar: amar os pobres, amar a todos. Nem sempre eu amava, pois tinha me acostumado a odiar, e até hoje estou aprendendo a amar, mas nestes 33 anos de segundo nascimento nunca perdi minha relação com o vento vivo de amor que sopra fora e dentro de nós, também de mim. Um vento que atravessa os dois mundos, o daqui e o eterno, de lá, com o qual entramos em contato mesmo estando aqui. Empurrado pelos carinhos do vento, tornei-me católico. Já o era por tradição, mas tornei-me, então, por convicção. Crismado por opção. Empurrado pelo vento fui aprendendo a amar as pessoas de todas as religiões, inclusive os ateus.
Em março de 1981, descobri a política, uma forma de amor pelos pobres. Ingressei no movimento estudantil, feliz. No final de março de 1981, depois da aula, voltando para casa entrei na capelinha do Abrigo dos Velhinhos. Oração, paixão. Consagrei-me a Deus. Nem sabia o que era isso, mas entreguei-me ao vento que me amava. Oração, paixão, decisão.
Certa vez, voltando de Brasília, sentou ao meu lado, no avião, um político que lera meu primeiro livro (Igreja Católica e Socialdemocracia. São Paulo: AM, 1999). “Não consigo entender como uma pessoa inteligente como você possa ser católico”, ele disse. Bem, não sou assim inteligente, mas não é por isso que sou católico. Acredito no que acredito por causa do vento. Confio nele, gosto dele e não pretendo deixar de ser empurrado por seu sopro de amor, por toda a vida até poder deitar um dia para sempre, espero, no colinho do vento.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Povo, poder e meios de telecomunicação




“Lá em Cuba e na Venezuela não há liberdade de expressão”, dizia um telejornalista. E aqui? No Brasil, se um telejornalista da TV X falar mal dela, está na rua. Se falar mal do político que o dono da TV X apoia, também está na rua. Mesmo assim, eles dizem que o Brasil é o paraíso da liberdade de expressão.
No Brasil, há liberdade de discordar publicamente de todas as ideias, exceto das de quem paga teu salário de telejornalista. O mesmo vale para o telejornalismo de política internacional: o telejornalista opina de acordo com a cartilha ideológica adotada pelo dono da TV. Sendo o dono da TV X contra a política de integração sul-americana, para citar um exemplo, o telejornalista convidará para debater isso na TV X somente os professores de relações internacionais alinhados contra os governos de esquerda da América do Sul. Ou seja, o que existe é liberdade de concordar com o dono da TV e seus aliados ou procurar emprego noutro lugar.
Numa democracia que queira ser popular, o mais importante não é a liberdade de expressão do dono da TV X, mas a soberania popular. Bem-estar para o povo, para a maioria do povo, é o centro da democracia e não essa demagógica ideia de liberdade de manipular que o dono da TV X e suas mentes telejornalistas de aluguel chamam de liberdade de expressão, demagogia maquiada de liberdade com a ajuda de seus profissionais do marketing.
Telejornais e televisões são grupos de interesse, lobbies que atuam de forma organizada em favor de alguns partidos, contra outros, no âmbito nacional e internacional.
Hoje, os socialistas não falam mais de tomada das fábricas. Até o Partido Comunista Chinês entendeu que a burguesia é melhor na gestão de fábricas. Socialismo de mercado, socialismo com burguesia. O que deveria, porém, ocorrer é a tomada popular dos meios de comunicação. Popularização dos meios de comunicação, poder de comunicação para o povo soberano em vez de ser poder de manipulação dos donos da TV X e seus aliados nacionais e internacionais.
Teoricamente, tal poder é do povo. Na prática, porém, não o é. Para o povo, hoje, de fato, também em comunicação, sobrou somente carne de pescoço.
A socialização dos meios de comunicação, ou desconcentração popular da propriedade sobre os meios de comunicação, devolveria ao povo um poder que é dele e ajudaria a libertar os profissionais do jornalismo que concluem as faculdades de comunicação cheios de boa vontade, mas, depois, são obrigados a se prostituírem  ideologicamente para conseguir um emprego e continuar trabalhando.


Teocracia - soberania do amor

Estou entre os que não acreditam mais em alguns dogmas da democracia, nem em algumas dentre suas promessas. Falam mal desse ou daquele país como se a democracia liberal fosse um esplendor de cidadania. Apontam os erros dos outros com os dedos sujos de lama.

Qual a melhor forma de governo? A melhor forma de governo é a Teocracia trinitária, a soberania política da Trindade amor. Tal teocracia é a única forma pura de governo. O que nunca existiu nessa terra. A cristandade medieval católica não foi teocracia, mas eclesiocracia: governo de igreja. Ainda bem que nos livramos disso, para o bem da sociedade e da própria Igreja Católica. Não sou a favor de eclesiocracia católica, nem de eclesiocracia evangélica. De reis e rainhas, crentes ou leigos, eu acho graça.

Atualmente, os quatro poderes definham sob o calorão da vaidade, arrogância, contradição, corrupção: executivo, legislativo, judiciário, mais a ditadura sorridente dos que comandam os meios de comunicação. O povo é súdito nessa democracia. Ele vota, é verdade, mas entre uma eleição e outra é súdito da máquina burocrática decadente desta democracia liberal em crise.

Os cristãos costumam pensar na vida e na morte, na terra e no céu, na política daqui e na dali. Bem, no céu, governa a simplicidade de um cordeiro: “O meu reino não é desse mundo” (João 18,36). Na terra, a natureza e seus frutos são belos, também são belas as relações com os amigos e as amigas, bela é a diversidade cultural dos povos do mundo, já os dogmas e promessas traídas da democracia liberal...

O corrupto de hoje, no poder, já foi um ser humano pleno de boa vontade ontem, fora do poder. Precisaríamos atingir uma unidade universal da humanidade em torno da humildade coletiva: reconhecer nossa profunda limitação moral coletiva.

Enquanto céu e terra não se juntam sob o governo de amor de Deus, vamos atravessando esse vale de lágrimas, trabalhando como podemos para melhorar nossa sociedade, investindo na construção cotidiana de relações paritárias, de amor agápico entre pessoas e povos diferentes, torcendo para que consigamos encontrar uma forma política menos imperfeita de organização, focada realmente na soberania popular.

O passar do calendário prova que mais cedo ou mais tarde todos deixaremos as preocupações cotidianas. A esperança que não decepciona nos ensina que o bem triunfará também do ponto de vista da organização política. Tomara que possamos participar desse futuro perfeito, que é o sonho de muitos, também o meu.

terça-feira, 12 de março de 2013

Unasul - A construção política da América do Sul


Em junho de 1966, Henry Kissinger, dirigindo-se a um ministro chileno, afirmou: “Você vem falar sobre a América Latina, mas isto não tem importância. Nada importante pode vir do Sul. A história nunca foi escrita no Sul. O eixo da história começa em Moscou, passa por Bonn, chega a Washington e segue até Tóquio. O que acontece no Sul não tem a menor importância” (DABÈNE, p.187).

A América Central e do Sul funcionavam mais como lugares de produção de sobremesas (banana, cacau, açúcar, abacaxi) para a América do Norte, não se tratando de parceiros efetivos dos EUA no pan-americanismo da doutrina Monroe, mas de Estados instrumentais aos interesses dos EUA, também no âmbito dos conflitos da Guerra Fria. 

O pan-americanismo da OEA (1948), movido pela doutrina Monroe, segundo a qual “a América é para os americanos”, de fato indicava que a América deveria estar sob a hegemonia dos EUA. O slogan “América para os americanos” desenvolveu mais a supremacia dos EUA no continente do que o pan-americanismo. Para Olivier Dabène, “a OEA funcionou como correia de transmissão da hegemonia norte-americana” (A América Latina no século XX. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, p.137).

Na avaliação de Maria Izabel Mallmann, “mesmo quando houve alguma preocupação com o desenvolvimento latino-americano no âmbito das relações interamericanas, essa preocupação esteve ligada às prioridades de segurança dos Estados Unidos” (Democracia e diplomacia regional na América Latina. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008, p.52). O pan-americanismo dos EUA seria semelhante ao cosmopolitismo dos romanos: abertos ao mundo, mas por considerá-lo território de conquista, ou de projeção, e não de integração paritária, inclusiva, entre Estados diferentes, mas com igual valor, dignidade.

A América Meridional tem território compartilhado (Andes, Pampa, Amazônia, Atlântico, Pacífico, Caribe) e passado político semelhante: colonialismo; independência; descolonização parcial; descolonização plena. Povos e governos da América Meridional estão abandonando posições de subordinação, tornando-se protagonistas do presente, valorizando as tradições culturais dos povos sul-americanos, valorizando seus pensadores e universidades, e identificando novas possibilidades compartilhadas de desenvolvimento social.

Dentro deste caldo emancipatório vão sendo identificados também instrumentos mais adequados de integração regional, protagonizada por sujeitos estatais com certa afinidade de interesses e proximidade geográfica, realizando assim o sonho de 1905 de Manoel Bomfim, de uma América Meridional que se apresenta ao mundo de forma “vigorosa, moderna, senhora de si mesma, como quem está resolvida a viver, livre entre os livres” (A América Latina – males de origem. Rio de Janeiro: Topbooks, 2005, p.351).


Unasul – Seu nascimento
A Unasul representa uma possibilidade de integração inclusiva, paritária, entre Estados sul-americanos que vão abandonando a posição de vagões e assumindo o papel de locomotivas de seus próprios desafios.
As etapas históricas anteriores à criação da Unasul são conhecidas: o Grupo do Rio, fórum de consultas políticas dos países latino-americanos, um mecanismo criado em 1986; a Constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), em Cuzco, Peru, em dezembro de 2004, já com 12 Estados sul-americanos.

Segundo Marcos Gama, em 2005, “à margem da Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, criou-se uma Comissão Estratégica de Reflexão sobre o Processo de Integração Sul-Americana”. Em 2006, tal comissão adotou, em Cochabamba (Bolívia), “um Plano Estratégico para o Aprofundamento da Integração Sul-Americana e uma estrutura baseada em reuniões anuais de Presidentes, reuniões semestrais de chanceleres, reuniões ministeriais setoriais, um Conselho de Delegados e uma Secretaria Pro Tempore”. No ano seguinte, em abril de 2007, durante a I Cúpula Energética Sul-Americana, na Ilha de Margarita, na Venezuela, “acordou-se no diálogo político entre os Presidentes que o processo de integração regional passaria a denominar-se União de Nações Sul-Americanas, ou Unasul” (O Conselho de Defesa Sul-Americano e sua instrumentalidade. In: JOBIM, Nelson; ETCHEGOYEN, Sergio; ALSINA, João Paulo (Orgs.). Segurança internacional – Perspectivas brasileiras. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010, p.346-347).

O Tratado Constitutivo da Unasul foi firmado pelos Chefes de Estado e de Governo dos doze Estados membros durante a Cúpula Extraordinária de Brasília, em 23 de maio de 2008. O Tratado define como objetivo geral o de “construir, de maneira participativa e consensuada, um espaço de integração e união no âmbito cultural, social, econômica e política entre seus povos, priorizando o diálogo político, as políticas sociais, a educação, a energia, a infraestrutura, o financiamento e o meio ambiente, entre outros, com vistas a eliminar a desigualdade socioeconômica, alcançar a inclusão social e a participação cidadã, fortalecer a democracia e reduzir as assimetrias no marco do fortalecimento da soberania e independência dos Estados” (art. 2º).

No âmbito da Unasul, após quatro reuniões realizadas em Santiago, Chile, um grupo de trabalho coordenado pelo Chile elaborou um projeto de Estatuto do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS). A aprovação do Estatuto do CDS ocorreu na Cúpula Extraordinária da Unasul, na Costa do Sauípe (Brasil), em 16 de dezembro de 2008.


Unasul – Diálogo Sul-Sul
Unasul e Mercosul são instrumentos de participação internacional pela integração regional. Como resumiu Celso Amorim, ex Ministro das Relações Exteriores do Brasil, “em política externa, demonstramos que a solidariedade pode reforçar o interesse nacional, e que o Sul pode ter um papel construtivo e indispensável na formatação da ordem multipolar” (Austral: Revista Brasileira de Estratégia e Relações Internacionais. Porto Alegre: v.1, n.1, Jan/Jun 2012, p.12).

A opção pelas relações Sul-Sul, ou prospectiva austral, “não ocorreu de forma suave ou sem contestação. Como toda quebra de paradigma, a ruptura com ideias preconcebidas provocou polêmica e gerou críticas”, completou Amorim (Ibidem, p.12).

O Sul não é somente uma dimensão geográfica, mas, também, política. Unasul, Mercosul, IBAS, BRICS são experiências de integração diferentes da globalização neoliberal.
Para o internacionalista Paulo Visentini, o objetivo da prospectiva austral “não é formar uma aristocracia dos emergentes, nem se tornar um grupo de oposição a uma ideia, a um país ou a um grupo de países, mas sim dar voz e poder aos países mais pobres, de modo a refletir a nova realidade do cenário internacional e o anacronismo de algumas estruturas do sistema multilateral” (As relações diplomáticas da Ásia. Articulações regionais e afirmação mundial - uma perspectiva brasileira. Belo Horizonte: Fino Traço, 2012, p.257).

Em suma, trata-se da tentativa de construção de um sistema de integração inclusivo e paritário, formado por Estados que abandonam a posição de vagões de velhas potências, para tornarem-se locomotivas ao lado de outras locomotivas na construção de uma nova ordem internacional multilateral. 

A recente suspensão do governo do Paraguai pelo Mercosul e Unasul, até que se façam novas eleições presidenciais,  após o impeachment relâmpago contra Lugo, interpretado como golpe parlamentar, poderá enfraquecer a integração regional, segundo alguns analistas, mas poderá, também, promover a sua qualificação, o que dependerá, sobretudo, da ação profissional dos diplomatas integracionistas empenhados no processo de integração inclusiva e paritária dos Estados sul-americanos.
*Escrito em 2012.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Discordar amando



Opinar é bom, mas mantendo o respeito por quem pensa diferente. Há os que odeiam Fidel Castro, e os que odeiam os que o odeiam. O mesmo vale para o Che, para a blogueira cubana, para o Chávez, para o FHC, para o Lula, para o Vaticano: uns amam, outros odeiam, outros odeiam os que odeiam. Ora, assim como há regras para o uso do celular, sugeridas pelo bom senso, deveria haver regras para o como opinar, por exemplo, em redes sociais.

O objetivo seria compartilhar isso e aquilo entre amigos, sem degenerar em palanque de ódios. Ser contra ou a favor é normal, a patologia da coisa se manifesta no como se é contra ou a favor, conversando ou quebrando todos os pratos do armário, como se todos fossem obrigados a ter as mesmas ideias e sentimentos.

Tenho procurado me controlar e, graças a Deus e aos amigos, não tenho caído na tentação de responder ao ódio com ódio. Ao menos não tenho atingido níveis elevados. Mudo de foco, espero um pouco, procuro tratar com respeito quem de vez em quando me escreve com ódio por não gostar do que eu gosto, ou por não pensar como ele, ou ela, pensam.

Não faz bem para a saúde geral (espiritual, do coração, do sangue) perder a calma. Manter a calma também porque sou sociólogo e todos os bons “pais fundadores” da sociologia recomendavam o método da objetividade, do desapego em relação aos valores contidos no objeto de estudo e no coração do pesquisador. É uma boa regra essa da objetividade, do desapego, da imparcialidade analítica. Boas opiniões tornam-se vasos quebrados quando perdemos a calma e objetividade analíticas ao manifestá-las.

Outro bom motivo para não perder a objetividade?  Quem se encolerizar contra o próximo já pode ser considerado réu no tribunal divino do amor (Mateus 5, 21-22). Eu não tenho medo de Deus, o que tenho é respeito e gratidão, duas manifestações de amor. “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4, 16). E o colinho de Deus é um lugarzinho bem bom de se permanecer, entre tantos lugares ruins que existem por aí.

Permanecer calmo na polêmica não é fácil, mas necessário. A luta é árdua, mas estou convencido de que vale a pena. “Bem-aventurados os mansos”, que são os que não nascem mansos, mas vão se fazendo mansos, aos poucos, mais pela força das amizades (divinas e humanas) do que pelo mero passar do calendário. Assim, lutando, continua-se opinando, mas priorizando muito mais o verbo amar do que o verbo opinar, empregando algumas vezes a melhor das palavras, que é a palavra não dita.