quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um gaúcho de Piratini em Roma


No meu coração existe sempre grande amor por Piratini. A minha infância e pré-adolescência foram marcadas positivamente pela Capital Farroupilha. Morando em Roma, ou visitando Paris, Praga, Budapeste, Jerusalém e outros lugares, quando perguntam de onde sou, respondo que sou de Piratini. Depois, preciso explicar que é uma cidade brasileira, do sul do Brasil, que não é perto de São Paulo ou do Rio de Janeiro.

Fiquei feliz quando estive em Capreira, ilha no norte da Sardenha onde está enterrado Garibaldi. “Somente eu e Garibaldi”, pensei, “tivemos a honra de conhecer tanto Piratini quanto esta magnífica ilha Sarda”.
Em Roma, gosto de passear pelas livrarias. Encontrei as Memórias Completas de Giuseppe Garibaldi. Folheando um dos três volumes, li as páginas onde Garibaldi descreve a sua chegada em Piratini. Fala da cidade com admiração. Garibaldi é um italiano que morou em Piratini e eu sou um piratiniense que estou morando na Itália. Fizemos viagens parecidas.

As raízes de uma pessoa são o seu coração. As minhas estão em Piratini, marca de fogo que recebi da história. Símbolo de liberdade, na geladeira da casa da tia Teresa o comunismo deu certo. A magia de Piratini não foi devorada pela história, ao contrário, Piratini continua alimentando e reproduzindo sempre a beleza dos ideais do passado e do presente.

Em Piratini conheci amizade, solidariedade, o humor sadio dos causos, o lúdico da vida cotidiana, a liberdade de sentir uma cidade como se fosse uma única família, com gente de sobrenomes diferentes.

Piratini é a minha carteira de identidade em qualquer lugar do mundo. Minha mãe, nos momentos de despedida, afirma sempre que “uma mãe não cria os filhos para si, mas para o mundo”. Palavras que sempre me ajudaram e até impediram lágrimas na rodoviária de Pelotas, onde pegava ônibus para Porto Alegre, avião para o Rio e de lá para Roma. A coragem de minha mãe ela bebeu na água da bica da história da Capital Farroupilha.

Piratini é como a minha mãe, não quer os filhos para si, mas os exporta para o mundo.
(Escrito em Roma, no dia 31/08/1991).

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