sábado, 29 de setembro de 2012

Mudança de credo


Outro dia o filme de minhas grosserias passou diante de mim. Palavras fortes em voz alta ou em voz baixa. Senti vergonha. Eu sabia disso, mas era como se não soubesse. O óbvio nem sempre é visto, mas agora eu vi.

Tornei-me sociólogo porque queria mudar o mundo, e ainda quero, trabalho para isso. A prioridade agora é outra: mudar o coração desse que vive nesse mundo que precisa ser mudado, em vez de mudar esse mundo onde vive esse que precisa ser mudado. A prioridade é essa. A vida é curta e o passaporte para a vida definitiva é a opção prática pelas mudanças dentro e fora de nós. 

A vida aqui é um purgatório. Não estamos no céu, no paraíso, mas sentimos, algumas vezes, na alma, os seus cheiros, os seus sabores. Não estamos no inferno, mas sentimos, algumas vezes, os seus cheiros, os seus sabores. Estamos entre o céu e o inferno, em um terreno de lutas onde a prioridade é para as mudanças mais em mim do que fora de mim, mesmo se as duas são importantes.

Imaginava que alguns defeitos quase permanentes servissem apenas para manter a humildade e que deveríamos carregá-los para o caixão. Mas não é assim. Mudar por dentro é uma obrigação. O tempo é curto e a obra deve ser concluída. E é essa obra a que resta para depois dos 70 ou 80 anos de vida que tivermos nesta terra.

Nasci de pelo duro e já é hora de me amansar... Bagual de doma tardia, mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca. “Bem-aventurados os mansos...”. Os mansos de coração conquistam a confiança. Como afirmou Francisco de Sales, “sede o mais doce que possais e recordai que se pegam mais moscas com uma gota de mel que com um barril de vinagre”.

A violência está firme e forte na vida cotidiana e cabe não ser cúmplice, mas inimigo dela, navegando contra a correnteza brutal da violência doméstica, no trabalho, eleitoral, no trânsito, política, econômica, nas relações internacionais. Hora de mudar de credo político. A violência não é a parteira da história. Crer de coração e mente na força do amor e não da violência.

A doçura que nasce da morte interior é que é eficaz, revolucionária. Tal doçura, que é muito mais que gentileza, é que muda realmente o mundo, e não a grosseria. A revolução da doçura é silenciosa, cotidiana, sem alarde nem publicidade. Acolher, então, a energia revolucionária desta verdade que está me comendo por dentro. Deixar ela me matar, para renascer, começar de novo como numa metamorfose de amor.

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