sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ativismo e tranquilidade


Ativismo significa excesso de atividades. Ativismo é opção ou condição? Escolhemos o ativismo ou ele nos é imposto, de fora para dentro?
Temos o ativismo do subempregado e o ativismo do hiperempregado. O ativismo do subempregado decorre da sua necessidade de sobrevivência econômica. Ele e ela fazem bicos aqui e ali, trabalham aqui, ali e acolá por necessidade econômica. Todavia, necessidade não é uma questão somente objetiva, mas, também, subjetiva. Se minha velha televisão funciona bem, mudar para a nova, lançamento, não é uma necessidade objetiva, mas um condicionamento consumista. Porém, mesmo cortando imposições falsamente necessárias, resta o fato de que muita gente é vitimada pelo ativismo por razões de subempregabilidade.

Vitimada pelo ativismo? Sim, o ativismo não faz bem para a saúde. É tão ruim quanto o tédio. Aliás, tem muito ativismo com cheiro de fuga do tédio. O cidadão enche-se de atividades, vive espumando feito liquidificador com água e, na volta ao estado de inércia, encontramos apenas água, sem fruta nenhuma na jarra do liquidificador.

O ativismo não faz bem para a saúde física e social. Estraga o corpo físico e o corpo social. Estraga coração, aumenta o estresse, estraga as relações sociais em casa (quando ainda existe uma casa, em sentido social, lar, família) e no trabalho.

Vivemos uma vida carregada de tarefas. Antes, bastava comprar velas novas para se ter luz à noite, em casa. Hoje, precisa ver se o celular funciona, se a televisão funciona, se a antena de televisão (sinal aberto ou fechado) funciona, se a assinatura foi paga, se isso e aquilo funcionam. A complexidade das exigências aumenta a quantidade de tarefas e desafios. O progresso tecnológico facilitou, mas, também, complicou nossas vidas. Comprar vela nova era mais fácil. A tarefa exigia vela e palitos de fósforo. As tarefas de hoje exigem muito mais.

Assim, mesmo cheios de luzes pelas casas, as do computador, da televisão, dos celulares, corremos o risco de vivermos meio apagados por dentro e por fora. Caras pálidas cansadas de guerra, cansadas de ativismo, chupadas por dentro e por fora pelo ativismo desta modernidade complexa, complicada.

Um mundo (moderno) cheio de atividades, complexas, a serem realizadas. Tais atividades complexas (a vela não vinha com manual de instruções para seu funcionamento) geralmente são, também, carregadas de possibilidades de conflito. As coisas estragam, ou não funcionam como deveriam. Eu chego a ter até medo de novas tecnologias. Facilitam, mas, também, complicam a vida. Mais os conflitos entre os seres humanos que escolhem e executam atividades.
Ativismo, conflitos, complexidade, estresse. Por isso, resistir e sobreviver, viver de forma amorosa e calma nessa agitação da moderna complexidade complicada.

Neste sábado vou para o campo, verdes pampas, pontos brancos, ovelhas, mais os cavalos, cachorros... Vou para descansar. E isso que vivo em uma cidade pequena... Vou e volto a pé para o trabalho. Mesmo assim, estou cansado, com saudades do vazio pleno do pampa, regenerador. Sonho com uma vida tranquila dentro de mim, que consiga permanecer tal mesmo em meio ao estresse exterior no qual vivemos. E o pampa é um dos remédios para essa minha tosse de agitação. Pampa, oração, amigos e refeição.

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