quarta-feira, 4 de abril de 2012

Consumo e depressão


Em uma revista, um médico explicava que não encontrar prazer no consumo poderia ser sinal de depressão. Eu não sinto prazer em mudar de geladeira, ou comprar um fogão, ou uma camisa nova, ou um par de tênis. Desde os tempos do Kichute, eu compro tênis novo somente quando o antigo morre.

Mudar de casa, reformar casa, procurar outra televisão são coisas que me estressam, não me dão prazer. Compro o que preciso, e mais ou menos vários meses depois que constato que de fato preciso de tal coisa. No caso dos tênis, o antigo separou a parte de baixo da de cima. Mesmo assim, consegui dar uma sobrevida de dois meses ao velho companheiro de quase 06 anos de caminhadas.

Nestes dias, estou meditando com as cartas que Padre Pio de Pietrelcina escrevia a quem lhe pedia ajuda na caminhada espiritual. Comprei estes epistolários na Itália, mas ainda não havia lido. Uma maravilha. Uma boa compra. Padre Pio explica que três são as características da união com Deus: admiração pela grandeza de Deus e seu amor e beleza infinitos; humildade, reconhecimento de nossa impotência, imperfeição, acompanhado pelo desejo de seguir em frente; desprezo pelas coisas desta terra, exceto as que podem ser úteis ao serviço a Deus.

O cristão sabe que o tesouro de sua vida é Cristo. Somente Cristo é capaz de lhe alegrar profundamente, e não uma geladeira nova. Não que a geladeira não seja importante. O cristão sabe que o tesouro de sua vida não está num shopping, mas nas comunidades com Cristo presente entre seus membros, Cristo presente em seus corações. Encontramos prazer em Cristo, fora dele, só cosquinha. Concordo com Paulo que dizia que fora de Cristo o resto é estrume. Concordo com Agostinho: “Tu, Deus, fizeste nosso coração para ti, e o nosso coração só tem paz quando repousa em ti”.

Paz e prazer o nosso coração encontra em Cristo, e não na linha branca com IPI reduzido, por mais que ela também seja importante, mas do ponto de vista da utilidade doméstica e não do prazer interior.

Um carro, por exemplo, é somente um eletrodoméstico, um liquidificador com rodinhas, e não um meio de acesso ao prazer espiritual, da alma. Carros mudam conceitos de liberdade? Carros estragam, às vezes uma semana depois de sair da loja, espécie de “templo automotivo” em nossas sociedades de consumo.

Teresa de Jesus, no livro Castelo Interior, escreveu sobre os gostos espirituais, toques do amor de Deus na alma que geram felicidade, e sobre a perda deles, os momentos de provação, aridez, deserto, tribulações da alma em sua transição pela terra. Saudades do céu... “De ti saímos, a ti é que voltamos, na caminhada que neste mundo damos”.

2 comentários:

denise disse...

Oi Fábio!
De fato, tb nossa vida profissional se tornou causa de "consumo" e os médicos são uma categoria - mesmo se com várias excessões - dos criadores de consumo. Consumo de remédios (eles ganham fortinas com as receitas), consumo de beleza, de idéias de que a dor deve ser eliminada e não comprerendida para se eliminar a causa... enfim. Não me admira que este médico proclame que não consumir é sinal de depressão, sem isso, a conta bancária dele é que vai entrar em depressão e isso ele não quer, hehehe!
Denise Zugno

viajando na MAIONESE disse...

Olha quanto ao tênis:O solado com o tempo fica baixo e vai sobrecarregando o tendão, para saúde é melhor trocar, principalmente se andas mais de três vezes por semana.
veja as dicas neste site:
http://www.educacaofisica.com.br/index.php/esportes/canais-esportes/outras-modalidades/4895-faca-seus-tenis-durar-mais"