domingo, 11 de março de 2012

Professor quase por acaso


Nunca disse que queria ser professor. Não lembro de ter dito aos meus pais de querer ser professor. Lembro que, com 17 anos, entrei em contato com os problemas sociais, com a dramaticidade dos fatos sociais. Passei a estudar história do Brasil, e política, para tentar entender as causas dos problemas e as estratégias de mudança.

Nunca pensei em ser professor. Meu objetivo foi pesquisar, compreender o social para mudá-lo. Interpretar o mundo para transformá-lo. Interpretar o mundo para melhorá-lo, para todos os seres humanos, de todos os cantos do planeta, iguais do ponto de vista da dignidade.

Mas eu sou professor. Apresento-me assim, considero-me assim, apesar de nunca ter pensado em ensinar nada para ninguém. Para mim, ser professor significa compartilhar com outras pessoas, jovens e adultos, homens e mulheres, desta ou daquela crença, os métodos, resultados parciais, realizações práticas e motivações de minhas pesquisas. A sala de aula é o espaço para tal compartilhamento democrático, recíproco, entre todos. Professor é promotor desse compartilhamento intelectual, moral, espiritual, político dentro e fora de sala de aula.

Assim manifesto uma crença, na educação (entendida como compartilhamento democrático de métodos, motivações, resultados), instrumento de melhoramento da vida social, espiritual, moral, no âmbito intra e internacional.

Tornei-me antes sociólogo e teólogo da vida social. Depois, tornei-me, como consequência disso, professor. Ser professor é resultado de dois livrinhos. Encontrei a crença na educação para a mudança social em tais dois livrinhos, pequenos, mas grandes em valor quanto as montanhas andinas. Entraram em mim e nunca mais saíram, talvez, porque já estivessem lá dentro. Dois livros de Paulo Freire, Conscientização e Educação e Mudança.

Educação é para a mudança, para as reformas, para a integração entre povos e continentes diferentes. Estradas integram. Aviões, também. Educação não é açude, é rio de águas permanentemente em movimento, em direção ao mar. Alunos e professores navegam em tais rios.

Educação é movimento das águas do saber, conhecimento, desejos, projetos compartilhados. Se a sala de aula deixa de ser rio, vira poça, água parada, e seca.

Educação é relação entre quem sabe que não sabe tudo e quem sabe de saber alguma coisa” (Paulo Freire).

Educação para a compreensão de modos de vida diferentes, intra e internacionais.

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