segunda-feira, 14 de março de 2011

A paixão de Chiara Lubich pela Unidade


Chiara Lubich com sua turma de jovens estudantes italianos

Chiara faleceu há três anos, na madrugada do dia 14 de março de 2008, nas proximidades de Roma, aos 88 anos. Na verdade, ela não morreu, mas voltou para casa, após ter vivido e ensinado a viver pela fraternidade universal, ideal de quem ama a unidade que aprecia a diversidade. Unidade para a qual a diversidade é um pressuposto obrigatório, permanente.

As bombas da Segunda Guerra Mundial a impediram de cursar a universidade. Uma de suas amigas perdeu o noivo na guerra. O sonho de Chiara, estudar, foi interrompido e o de sua amiga, casar, também. Elas, então, se perguntaram: “Será que não existe um ideal que as bombas sejam incapazes de destruir?”. Foi a partir de tal pergunta que começaram a receber o que podemos chamar de revelações na revelação: ideias muito simples, como são as do evangelho de Jesus Cristo, mas com a força de palavras recém saídas do forno da boca de Deus, com seu hálito suave e transformador.

Chiara reconheceu que tudo realmente passa, menos Deus e o seu amor. Consagrou-se a Deus. Mas não entrou num convento. Permaneceu leiga, no meio do mundo. Rapidamente aquela ragazza bela e inteligente de apenas 23 anos atraiu a atenção de muitas pessoas. Quem dela e suas primeiras companheiras se aproximava sentia a presença de um fogo, como se estivesse próximo a uma lareira. Em italiano, usa-se a palavra focolare para designar o aconchego familiar ao redor de uma lareira. Os trentinos usaram tal palavra para designar a nova comunidade cristã que nasceu em Trento, em 1943, ao redor de Chiara Lubich: meninas e rapazes que deixavam tudo para seguir Jesus no movimento que ficou conhecido como Movimento dos Focolares.

Durante as férias, esses jovens das primeiras comunidades de Trento organizavam períodos mais longos de convivência, as Mariápolis (cidade de Maria). Eram cidades governadas pela lei do amor e pela presença de Jesus entre eles, conforme a promessa do evangelho de Mateus: “Onde dois ou mais estiverem unidos no meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18, 20).

A partir das Mariápolis nas montanhas de Trento, o Movimento dos Focolares se espalhou pela Itália, Europa, América... Hoje, há comunidades do focolare em quase todos os países do mundo, nos cinco continentes.

Para Chiara, como para todos os cristãos, Deus é amor, mas um amor que se faz comunhão, unidade, comunidade viva. O testamento de Jesus: “Que todos sejam um” (João 17, 21) tornou-se a grande paixão de Chiara. Unidade entre os cristãos (ecumenismo); unidade entre os católicos; unidade entre as religiões; unidade na política (fraternidade); unidade na economia (comunhão de bens); unidade na família; unidade na escola; unidade entre as gerações; unidade entre os povos e nações.

O mundo, para ela, que via realisticamente os conflitos, tende à Unidade. O realismo maior de Chiara (cidade de Deus) não permitia que ela deixasse de viver pela unidade não obstante os tantos conflitos típicos da cidade terrestre.

Conversei pessoalmente com Chiara pela primeira vez em julho de 1987, no sul da Suíça. Olhar para os seus olhos foi como olhar para a eternidade, pois eles refletiam os horizontes infinitos do amor de Deus e sua cidade definitiva.

Chiara Lubich, mulher do diálogo com todos, de todas as culturas, de todos os continentes, mulher apaixonada pela unidade, mulher que soube sempre apreciar a diversidade cultural como riqueza que alimenta o coração da comunidade una e distinta como é a vida da Santíssima Trindade.
*Fotos de Chiara aos longos dos anos, em Loppiano - Clique aqui.

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