domingo, 13 de março de 2011

Depois das férias...


Sinto-me melhor no frio. Leio mais. Penso com mais tranquilidade. Desejo com mais moderação. Sofro, também, com mais moderação.

Na França, de férias, o lago do pátio do local onde ficamos congelou. Brincamos de jogar pedaços de madeira, vê-los deslizar... Brincar de jogar tocos, com as crianças, no lago congelado... Adultos voltam a ser o que sempre são...

Fiz 48 anos. Daqui a dois anos vou me tornar adulto... Ainda disponho de dois anos de juventude... Vou caprichar para entrar bem na fase adulta da vida.

Dizem que os franceses são antipáticos. Mas se você falar em francês, mesmo entre erros, eles premiam tua boa vontade. Pegamos um trem errado, perto de Paris. Em francês, pedi explicação a um jovem, e pedi o seu celular emprestado. Ele nos emprestou. Tentei pagar pela ligação feita. Ele não aceitou. Não foi antipático. Foi gentil. Nas três (ou quatro?) vezes em que visitei a França, fui sempre tratado com educação.

A Europa sofre. Não de frio. Sofre de tristeza. De melancolia. Perda de poder de consumo. Meio sem rumo. A Europa trabalha. Franceses pegam o trem todas as manhãs para trabalharem em Paris. Voltam de trem no final da tarde. Todos os dias. Trens às vezes lotados. Leituras de bordo. Sonhando com a Europa, com a América, com a África, com a Ásia... A Oceania é mais distante, mas também cabe nos sonhos.

Fronteiras entre a França, o Brasil e a Itália. Fronteiras culturais, limites físicos... Somos diferentes, e menos mal. Somos, também, a mesma coisa. Sonhamos, sofremos, nos arrependemos, desanimamos, reencontramos a esperança. Na França, comemos crepes. Na Itália, pizzas ao corte. No Brasil, voltei a comer carne. Comidas diferentes, todos sentimos fome. “Somos todos iguais, braços dados ou não...”. Somos todos diferentes. Fronteiras físicas, fronteiras culturais. Farinhas em sacos diferentes... Todos farinha...

O mundo mudando no norte da África, e eu de férias. Interessado, mas de férias. Iguais e diferentes.

Passear, ver de novo Paris, agora com as filhas. Passear, ver de novo Roma, com as filhas... Filhas que valem mais que o Coliseu, que a Torre Eiffel... Precisa educar, motivar ao estudo, valores práticos, nos fazem sofrer, mas, mas são as filhas, eternos monumentos...

De volta para casa, alegria e, depois, tristeza. Depressão pós-férias. Um ano pela frente. Desafios que pesam na alma, na mente, no corpo. Propósitos. Emagrecer, estudar, publicar, organizar. Desejar mudar o mundo cansa. Navegar é preciso, uma onda de cada vez... A mesma velha certeza de sempre: a esperança que não decepciona. A noite revela as estrelas. Joelhos dobrados. Coração em oração, revolução, conexão. Cidade de Deus, o farol funciona de noite.

Enquanto isso, franceses e italianos vão e voltam de trem para o trabalho. Sofrem, choram, sonham, riem como eu, como você... Bocas beiçudas, ou alegres, que beijam e mordem, como a minha e a tua...

Um comentário:

juvercy lopes disse...

Parabéns!

Se "inveja" matasse... não estaria aqui escrevendo.
Abração


juvercy