domingo, 8 de agosto de 2010

Uma garçonete do Uruguai

Entramos no restaurante, vazio. Uma cidade histórica do Uruguai, muito bonita, Colônia do Sacramento. O garçom, parado, continuou imóvel. Vários minutos depois, aproximou-se, trazendo um cardápio. Pensei em pedir explicações sobre um prato. Mas o garçom sumiu. “O proprietário do restaurante deve morar longe, deve pagar mal, e o garçom está descontando nos clientes”, pensei, tentando entender o clima de desfalecimento que caracterizava tal restaurante, bonito na forma e feio no serviço. Fomos embora. Em um outro restaurante, mesma cidade, perguntei sobre o vinho da casa, aquele que a gente compra por cálice ou jarrinha. A garçonete só faltou rir de mim por eu optar por um cálice de vinho, e não por uma garrafa.

Em tal restaurante, as garrafas de vinho serviam de decoração, em pé, algumas perto da saída de ar quente do Split. Mesmo não entendendo sobre conservação de garrafas de vinho, a garçonete sentiu-se no direito de duvidar de minha escolha “popular” de um cálice de vinho da casa em vez de comprar uma garrafa de rolha seca. Além disso, ela e o outro garçom não falavam português. Ora, assim como garçons de cidades turísticas brasileiras deveriam saber espanhol, garçons de cidades turísticas do Uruguai também deveriam saber português. Senti saudades de Rivera, onde os restaurantes que conheço são muito bons e onde se fala espanhol, português e portunhol.

De volta a Livramento, em nossa rápida visita à fronteira do Uruguai com a Argentina, passamos por Fray Bentos, que nos deixou uma bela impressão, e dormimos em Paysandú, que foi nossa melhor surpresa. Dormimos no hotel El Jardín, na rua Montevidéu, uma casa transformada em hotel. Excelente quarto, quádruplo, atendimento excelente, ótimo café da manhã, perto da lareira, acesa. Um jardim magnífico no centro da casa (hotel). Melhor e mais barato que o hotel em que ficamos em Colônia. E o melhor estava por vir.

Jantamos no Restaurante La 16, rua 18 de Julio. Comida boa. Mas o que mais nos impressionou foi o profissionalismo da garçonete. Eu já comi em muitos restaurantes, no Brasil, Itália, Portugal, Áustria, República Tcheca, Hungria, Israel, Malta, etc. Algumas vezes, por convite de amigos ricos (que pagavam a conta!), comi em lugares bem sofisticados. Bem, no Restaurante La 16, encontrei o melhor serviço de garçonete que já experimentei em minha vida.

Alejandra Toffolon sabia como chegar, como sair, como se comunicar, como entregar, como recolher, que expressões usar. Nada a menos nem a mais. Modéstia, sobriedade, determinação. Serviço perfeito! Nem lembro mais o que comemos. Lembro apenas que bons restaurantes não são feitos apenas de boa comida, vinho, mesas, cadeiras, mas, sobretudo, de bons profissionais. O ser humano continua a ser nossa pior decepção ou nossa melhor surpresa.

Um comentário:

Juvercy disse...

Muito interessante a percepção do cliente (Fabio e família),o grau de satisfação nas duas situações. Coitado do proprietário do primeiro restaurante, o processo (atitude) do funcionário irá demonstrar o resultado do serviço prestado, e não irá sobreviver no mercado. A qualidade dos serviços na segunda situação é fator determinante para fidelizar o cliente.
Acho importante Fábio, que no papel de consumidor, você colocar o “dedo na ferida”

"Tô pagando!"
Abraço
Juvercy