sexta-feira, 25 de junho de 2010

Brasil-Roma-Brasil

Fazia dois anos que eu não atravessava o Atlântico. Entrei no voo da Alitalia, dia 11 de junho passado, com as mãos molhadas. “Meu Deus, peço-te para segurar este troço no ar até o aeroporto de Roma”, rezei. “O avião é um milagre da ciência. Um prédio que viaja na horizontal”, disse-me um amigo. Como não acredito na infalibilidade da ciência, faço minhas orações ao criador da lei da gravidade.

Em Roma, um congresso maravilhoso. Os 05 continentes representados em 75 pessoas. Tradução para 08 idiomas. Todos participavam, sobretudo, com breves comunicações. Organização impecável. Horário religiosamente respeitado. Das 09h00 às 13h00 e das 16h00 às 19h30. Quando terminava o tempo, o mediador interrompia: “Stop! É hora do intervalo!”. Foi muito bom, sem palestras esticadas. Respeitar o horário é um ato precioso de amor.

Nos intervalos, conversas com pessoas da Croácia, de Madagascar, França, República dos Camarões, Itália, Alemanha, EUA, México, Argentina, Espanha, Portugal, Malta, etc. Conversei muito sobre o tema “fronteira”: fronteiras “sedentárias” (físicas) e fronteiras “nômades”, no miolo dos estados. Alguns não acreditavam quando lhes dizia que vivo numa fronteira aberta, numa cidade binacional, onde uma praça une dois povos em vez de muros que separam. “Mas onde é feito o controle de passaportes?”, perguntavam. “Não há controle de passaportes entre Rivera e Livramento”, explicava. O amigo da Croácia ficou maravilhado, contente. Aliás, noto sempre mais um grande carinho geral pelo Brasil. “Como posso fazer para trabalhar no Brasil?”, perguntou-me um italiano, profissionalmente bem inserido em seu país, que revelou seu desejo de vir morar na nossa terra pátria.

“Amar a pátria do outro como se fosse a minha” é uma regra que aprendi com a italiana Chiara Lubich, regra que tento praticar sempre, e que me traz ótimos resultados. Quando você ama o país do outro como se fosse o seu, você é mais amado e, ao retornar à sua terra pátria, você a reencontra mais bonita. Ao amar o país do outro como se fosse o próprio, você ama mais o próprio país e o mundo.

De fato, ao retornar ao Brasil, neste dia 20 de junho, voltei com o coração e a mente cheios de outros lugares. Voltei mais africano, mais croata, mais italiano, mais francês. Rivalidade entre países deveria ser apenas tema para piadas, caricaturas, brincadeiras. As situações de graves separações entre países são uma espécie de câncer do corpo internacional. Como seria bom que a regra de Chiara Lubich fosse colocada em prática em todas as fronteiras...

Bem, voltei de Roma como um Boitatá, queimando de alegria por dentro e por fora. Feliz da vida porque vivo para que todos sejam um (João 17), a utopia de Jesus, sonho internacionalista atual, urgente, necessário, vital! Feliz da vida porque, durante a semana internacional que vivi em Roma, procurei amar a pátria do outro como se fosse a minha. De brinde, Deus deu-me um grande presente: voltar para Santana do Livramento, cidade onde vivo e trabalho, onde estou criando minhas filhas no espírito prático de integração efetiva que existe entre Brasil e Uruguai. Não é uma integração perfeita, mas muito satisfatória.

Para celebrar minha alegria de voltar para a fronteira da paz, com o coração repleto de afeto por outros povos e países, comprei um belo pedaço de costela de novilho do Uruguai, um pedaço de cordeiro santanense, vinho tinto chileno e goiabada de Minas Gerais. Celebrei, com minha família, a alegria do retorno, meio Boitatá mesmo, queimando de alegria no fogo eterno da unidade que aprecia a diversidade.

2 comentários:

Matheus Anversa disse...

Belo texto professor, "Amar a pátria do outro como se fosse a minha", concordo em gênero, numero e grau.

Solução dos problemas fronteiriços.

Abraço do Caçapava.

Juvercy disse...

A conquista do espaço territorial e participar de um evento desse porte é motivo de orgulho, sobretudo trazer no coração experiências fantástics para onde você. Um abraço catarinense.

Juvercy