terça-feira, 11 de outubro de 2011

No porão da alma


No porão da alma podemos cair sem querer, por querer ou sem nem mesmo perceber. Lá não há luz, sabor nem disposição. Tudo é amargo, triste. É o lugar do cansaço da alma gorda, pesada. É espaço empapado de tristeza na esponja do desânimo. Cria beiços por dentro, beiços na alma da alma. Nada é capaz de consolar uma alma de boca beiçuda.

A perda da alegria é dolorosa. Olho para cima. “Mas onde estará o alçapão do porão da alma?”. Tal porão é doloroso, mas é bom mestre. Acaba com tudo, menos com o que é bom. Queima o eu. Liberta da alegria superficial.

Na desolação do porão encontro um velho amigo, que entrou sem culpa no porão da alma, vale de lágrimas. Ao encontrá-lo, poucas palavras, alguns olhares, como se eu fosse Marcelino, o menino que um dia lhe deu pão e vinho.

3 comentários:

Giovana disse...

Nossa.. comovente!! Muito profundo, lindo e não triste, apesar de falar sobre tristeza. São reflexões das quais eu compartilho e acredito pois no final de tudo, o bem(porão da alma) sempre vence o mal(tristeza).



Abraço fraterno

estudante disse...

O porão... sem fantasma, só existe alegria! “... a comunicação transforma o porão...” (absolutamente correto.)
Abraço Catarina de sua ex aluna

Regina disse...

Procurei algo que falasse do porão da alma...nem achei que acharia!!!rsss
Lindo, lindo !!
Parabens pela postagem !